Se durante a campanha Barack Obama criou um modelo sobre como fazer política na Internet, resta acompanhar como essa mesma política participativa se dará durante seu governo via E-gov. A inauguração do Change.Gov pode ser um indício de que Obama fará alguma coisa diferente do que outros governos vêm fazendo.
A proposta do Change.Gov, criado dois dias após o resultado da eleição, é fazer com que as pessoas possam contribuir com idéias para o mandato e opinar sobre diversas questões políticas e sociais. O site também pede para que as pessoas compartilhem suas histórias e sentimentos durante a campanha eleitoral. O Change.gov traz ainda um blog. Neste caso, a promessa é a de detalhar cada passo de Obama e ensinar a população os conceitos de uma administração pública.
Tudo isso sinaliza que o site do Governo Americano também será diferente. José Antonio Martinuzzo, professor de comunicação Ufes, em seu mestrado e doutorado, estudou o modo como tem se sido as práticas dos governos no uso da internet, o chamado Governo Eletrônico.
No mestrado “A política na rede – tecnologias de comunicação e reprodução do paradigma de mercado“ ele se dedicou à análise do site de prefeituras e no doutorado a temática se extendeu ao estudo dos governos que compõem o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) – “Comunicação, Novas Tecnologias e Informacionalização da Política: o Governo Eletrônico no Mercosul“. As diferenças constatadas ficaram mais no campo do estilo do que no modo estruturante e de uso emancipatório potencializado pelas novas tecnologias.
Em comum ao que vem sendo feito, Martinuzzo constata que se tem
- Prioridade absoluta do e-gov aos conteúdos noticiosos;
- A formatação dos governos eletrônicos segundo a linguagem jornalístico-publicitária;
- O investimento na prestação de serviços, tendo sido criado, inclusive a categoria de serviços online;
- A ausência de interatividade ativa;
- A imposição da atualização tecnológica e gerencial dos governos , patrocionada pela ideologia neoliberal de reinvenção do Estado.
O comentário feito no doutorado é o de que a se se consolidarem as experiências “de e-government estudadas, governo e política se resumirão, crescentemente, à oferta de discurso oficial disfarçado de notícia jornalística e à prestação de serviços – um modelo inapto à política, avesso à cidadania e originalmente associado ao status quo.”
Quanto ao que Obama fará, é esperar o 20 de janeiro para conferir.
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