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Dia das Mães para quem tenta engravidar

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Tá sendo curioso meu levantamento para a matéria especial que desenvolvo para o Dia das Mães.  A ideia foi tentar entender como ficam nessa época as mulheres que tentam mas não conseguem engravidar. O drama é grande. Maior do que pensava que fosse.

Existem blogues aos montes, muitas comunidades online e diversos fóruns e uma discussão bem rica. Até tentei entrar em um grupo de discussão. Mas teve o detalhe de que o pedido de participação teve retorno com um formulário a ser preenchido. Até agora não houve resposta.

Também pesquisei no orkut. O interessante é que muitas relatam suas histórias nesses espaços, deixam msn mas negam dar entrevista. Algumas até aceitam mas logo somem, não retornam emails ou ligações. Uma até chegou a dizer que o marido era muito ciumento e que não poderia conversar com homens por msn. Dar telefone para conversar, claro, nem pensar.

Primeiro achei estranho, depois vi que pode ser até normal esse tipo de atitude. As conversas, os dramas pessoais, o dia-a-dia são feitos online como se fosse uma prática offline. Como se fosse a conversa desenvolvida ali ficasse restrita só entre [aqueles] amigos, o estranho que chega é ignorado, cortado, algo assim. Não se pensa que outras pessoas acessam, leem, comentam, espalham, ou pedem uma entrevista para espalhar ainda mais…

Ainda assim o resultado final da matéria caminha para ficar muito bom. Fiz uma boa entrtevista com Claudia Collucci. Ela cobre a área de saúde para a Folha, tenta ser mãe, mantém um blogue e escreveu dois livros dobre a dificuldade de engravidar.

Também fiz entrevista com duas psicólogas com experiência de atendimento nessa área. A principal questão colocada é que ser mãe é vista como parte da identidade da mulher. Aquela que tem dificuldades ou simplesmente optam por não engravidar é vista como estranha, seca, incompleta. Não se pergunta por que engravidar. Não se considera a possibilidade se construir uma identidade que não integra o papel de ser mãe. Uma das perguntas que fiz para a psicóloga Luciana Reis, por exemplo, foi a seguinte:

Qual perfil poderia ser traçado de quem procura ajuda para engravidar?

São mulheres, na grande maioria das vezes, que sentem-se impotentes frente à dificuldade de gravidez, vivenciam sentimentos de tristeza, frustração, culpa, medo de perderem seus companheiros, vazio e sensação (em alguns casos) que são menos mulheres que as outras, pois a vivência da infertilidade costuma mexer também com a identidade feminina da mulher.

De várias tentativas de contato com mulheres que tentam engravidar, uma foi especialmente bem receptiva – Ana. Ela mora no Rio mas morou no Espírito Santo algum tempo. Ana respondeu a todas as perguntas, mandou uma série de fotos e ainda buscou convencer algumas de suas colegas virtuais a dar entrevista. Ela mesma diz que falar é uma terapia.

Mas também não é com todo mundo com quem Ana fala. Com os amigos offline, por exemplo, ela não conversa sobre gravidez. Contudo faz da comunidade do orkut uma espécie de email. Checa diariamente e escreve quase sempre. Comigo resitiu um pouco. Fiquei contente ao constatar que meu poder de convencimento não anda muito enferrujado.

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