A Universidade Federal do Espírito Santo vai sediar em dezembro o seminário “Mundo-Vix: A política do comum: Cidades, Democracia e Globalização”. Pelo tema das palestras, o encontro de agora tem muito a ver com o que aconteceu em maio de 2007 na Estação Porto, “A Constituição do Comum: Comunicação e Cultura na Cidade”.
A diferença é que o foco passa da produção cultural para, mais diretamente, as relações de trabalho e políticas. Além disso, desta vez, o filósofo que traz embasamento teórico para ambos os seminários, Antonio Negri, estará no último dia de debates. Michael Hardt, co-autor de Império com Negri, também estará presente.
Uma das teses que direcionam o seminário é o que é caracterizado como ”crise terminal do neoliberalismo e o horizonte de incertezas que se abre.”
Nessa direção, o tema da mesa de Negri será “As Instituições do Comum na Globalização”, onde será discutido a experiência dos governos de esquerda na América Latina em um horizonte enxergado como “não apenas pós-neoliberal, mas também pós-capitalista.”. O filósofo tem formação marxista e são recorrentes suas citações a Foucault, Maquiavel e Espinosa.
A cobertura do evento será feita pelo pessoal do Laboratório de Internet e Cultura (Labic) da universidade através do blogue MundoVix.
Programação:
Dia 10
15h. Abertura Oficial – Auditório Manoel Vereza – CCJE/UFES
A Política do Comum: Cidades, Democracia e Trabalho. A proposta do Seminário Mundo Vix é de pensar os desafios globais a partir de uma realidade municipal e, vice versa, pensar o governo municipal a partir desses desafios globais. O desafio é exaltado pela crise terminal do neoliberalismo e o horizonte de incertezas que se abre. A transformação da crise implica na inovação política da discussão sobre as novas dimensões do trabalho, as lutas e as instituições do comum.
João Coser – Prefeito Municipal de Vitória-ES
Rubens Rasseli – Reitor da UFES
Giuseppe Cocco, UFRJ
Fábio Malini, UFES
16h às 19h – Auditório Manoel Vereza – CCJE
O trabalho da metrópole: redes de cooperação e precariedade. Se o modo de regulação neoliberal do regime de acumulação que caracteriza o capitalismo cognitivo acaba de desmoronar, as transformações estruturais do trabalho que o caracterizam são irreversíveis. Elas dizem respeito à difusão social nas redes metropolitanas de um trabalho que implica na produção de formas de vida por meio de formas de vida e em um regime de controle que passa pela sua sistemática precarização.
Yann Moulier Boutang: Universidade Tecnológica de Compiègne(França)
Paulo Henrique de Almeida: – UFBa
Debatedor: Giuseppe Cocco – Universidade Nômade e UFRJ
Moderação: Vinicius Wu – Chefe de Gabinete da Secretaria de Reforma do Judiciário.
Dia 11
10h às 13h – Auditório Manoel Vereza – CCJE
Novos governos e movimentos na América Latina. A América do Sul é atravessada por um ciclo político incomparavelmente aberto aos processos de democratização. Em praticamente todos os países encontramos experiências de governo que são a expressão, pelo menos parcial, da critica social ao neoliberalismo e representam tentativas inovadoras de equacionar o quebra-cabeça da exclusão social e o do crescimento econômico. O que as primeiras edições do Fórum Social Mundial afirmavam com força como horizonte aberto de possibilidades aparece hoje em dia como um terreno concreto de inovação política e institucional. Outros mundos são possíveis e essa potencialidade está sendo experimentada na América Latina.
Raul Prada – Grupo Comuna – Bolívia
César Altamira – Universidade Nômade – Argentina
Oscar Vega – Grupo Comuna- Bolívia
Debatedor: Alexandre Mendes – Universidade Nômade – UERJ
Moderador: Henrique Antoun – ECO/UFRJ
PAUSA ALMOÇO
14h30 às 17h30 - Auditório Manoel Vereza – CCJE
O devir-Mundo do Brasil: Mestiçagem, migrações, racismo. Os temas do combate ao racismo, das migrações e da mestiçagem atravessam os movimentos e marcam novos tipos de conflitos dentro da globalização. Nos Estados Unidos, o movimento dos migrantes ilegais constituiu um dos elementos mais importantes das lutas depois de Seattle, em 1999. A revolta das periferias na França mostrou que o centro é atravessado pelos movimentos da periferia. Nesse novo contexto, o Brasil– com suas dinâmicas mestiças – pode constituir-se em um terreno de inovação social e política.
Giuseppe Cocco –UFRJ
Alexandre do Nascimento – Universidade Nômade, Pré Vestibular para Negros e Carentes / RJ
Leonora Corsini – Universidade Nômade
Debatedor: Ivana Bentes – UFRJ
Moderação : Caia Fittipaldi – Universidade Nômade
18h30 – Auditório Manoel Vereza – CCJE
Conferência 2 : A Metrópole e o Comum. No capitalismo contemporâneo, o novo espaço produtivo é a metrópole e suas redes de trabalho difuso. As dinâmicas metropolitanas misturam produção e reprodução e tem em seu cerne a constituição de formas de vida. A Cidade se constitui, nesse sentido, no terreno privilegiado para pensar a relação nova entre lutas e produção, as condições materiais da construção de um Comum que permita aos fragmentos de se recompor em redes de cooperação, de “fazer multidão”.
Michael Hardt – Universidade de Duke – Estados Unidos
Joaquin Herrera Flores – Universidad Pablo Olavide, Sevilla – Espanha
Debatedor: Gerardo Silva – UFRJ
Dia 12
10h às 13h – TEATRO UNIVERSITÁRIO
As Instituições do Comum na Globalização. A América do Sul é o teatro de um ciclo político virtuoso e diversificado que deu materialidade à palavra de ordem do Fórum Social Mundial de Porto Alegre: “um outro mundo é possível” ! A partir de uma grande diversidade de experiências de movimento e governo, as esquerdas sul-americanas se aventuraram na experimentação institucional de radicalização democrática e na reabertura do debate sobre um horizonte não apenas pós-neoliberal, mas também pós-capitalista.
Antonio Negri – Filósofo – Universidade Nômade – Itália
Álvaro Linera – Vice-Presidente da Bolívia
Moderação : Alberto Kopittke : Assessor Parlamentar
PAUSA ALMOÇO
15h – – Auditório Manoel Vereza – CCJE
A Crise Financeira Global. Crise do capitalismo financeiro ou crise do capitalismo contemporâneo tout court? De maneira paradoxal, as teses que separam o capitalismo em duas dimensões, uma que seria “real” diante de uma que seria “fictícia” encontram dificuldades a apreender a crise atual. É a economia como um todo que é abalada e o que está em crise é o regime de acumulação, quer dizer de exploração, de um capitalismo que se valoriza pela captura das formas de vida.
Christian Marazzi – Scuola Professionale – Suíça
Debatedor: Antonio Martins – Le Monde Diplomatique
Entrada: O evento é gratuito e aberto ao público
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Comentários
[...] Como comentei, as palestras foram uma continuidade do Seminário de maio de 2007, A Constituição do Comum. A proposta do conceito de Comum seria a possibilidade de construir plataformas de entrecruzamento. Pontos de encontro. Plataforma comum de convivência. Isso não quer dizer que as pessoas tenham que ser reunidas em uma unidade de representação. Mas que sua ação cooperativa e singular possa vir a construir algo que lhes seja comum. [...]