Terça-feira à noite. Fim de expediente para alguns. Pessoas chegam em casa e se amontoam em frente à TV para assistir uma coisa que as faça esquecer dos problemas cotidianos. De repente a música de plantão surge, e com ela a sensação de que alguma tragédia aconteceu. O pressentimento se torna certeza: labaredas e fumaça invedem a tela e uma voz rouca e nervosa anuncia o desastre. Estamos prestes a participar “virtualmente” do maior acidente aéreo da história brasileira (até o momento). Corremos para a internet, para termos mais informações instantaneamente, afinal, nos tempos pós-modernos, quem vai esperar o jornal impresso do dia seguinte para ver os detalhes? Zapeamos os canais para conferir qual deles oferece a melhor cobertura. A maioria fica na Band, pois a Globo, após um breve comunicado, continua com sua programação normal, repleta de melodramas ficcionais.
O clima de catarse coletiva se instala. Testemunhos pipocam. Imagens de um prédio caindo. Explosões. Os corpos carbonizados extirados no chão. O Brasil sofre, chora. Ficará em luto por três dias. Estou em uma redação de jornalismo online. Tenho que atualizar as matérias sobre o acidente no mesmo ritmo em que elas aparecem nos sites de agências de notícia. Estou distante de São Paulo. Pra falar a verdade, nunca estive lá nem a passeio. Mas estou bem perto das vítimas. As informações aparecem, nem dá muito tempo de analisar, e tenho que publicar. Corto fotos. Seleciono trechos. Meus olhos ardem, só que não é apenas por desgaste, é por tristeza. Sou humana e sofro, mesmo não conhecendo ninguém envolvido. Os comentários com meus colegas provam que não sou a única nesta situação. Uma piada surge, mas quem a proferiu logo se corrige. Não é o momento. Vou embora à meia-noite com sensação que deveria ficar um pouco mais. Só que eu não estou resgatando corpos, estou amontoando-os para você ver.
Não quero entrar em detalhes sobre a importância do jornalista em informar a população. Quero falar que acontecimentos como esse nos calejam. Tudo o que se pode pensar é quem foi o culpado, quem “famoso” morreu, o que o governo vai fazer com o caos aéreo, a reforma da pista, quando será o próximo acidente que superará este. Quase 200 pessoas estão mortas. Seus planos acabaram. Suas famílias se desestabilizaram. E nós? Continuamos assistindo televisão. Assim como na novela da Globo, a vida segue.
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Comentários
Oi Gaby,
Faço minhas as suas palavras. Vc à noite e eu pela manhã, a mesma coisa. Também realizei essas atividades um tanto “ingratas”, dentre outras …
Mas ainda acho incrÃvel como eu, que nem lia as páginas policiais dos jornais, quase me acostumo com as tragédias matinais de cada dia. É óbvio q essa foi incomum, não foi como os homicÃdios, tentativas de homicÃdio e apreesões de droga … são muitas vÃtimas de uma só vez … no entanto se fossemos contar corpo por corpo, as vÃtimas da violência devem encher um boing por dia . Espero não me acostumar com isso.
Abraços.
[...] 18/07 – Relato de uma estagiária de redação online na noite da tragédia do vôo 3054 [...]
É de fundamental importância que estejamos por dentro de todos os acontecimentos. Porém a cada dia que passa deixamos de lado os outros problemas, como por exemplo o caso de Renan Calheiros que bastou o PAN 2007 e o acidente com o boing da Tam para nós pobres e ingênuo-os polÃticamente esquercermos do robalheira que estar os nossos paralamentares, e ja sofremos as consequências que estão bem claras para todos verem, mas só bastou pessoas inocentes morrerem para abrirmos os olhos para a realidade.
Por isso meus irmãos brasileiros, acordem e vejam que ainda não somos felizes.