A associação pode não ser tão simples e direta assim. O estudo Governos de esquerda e o gasto social na América do Sul, de Julia Sant’Ana, indica que, pelas análises dos orçamentos sociais dos últimos anos, existe pouca diferenciação entre governos de esquerda e de direita em relação à evolução e, principalmente, à distribuição dos gastos em uma área em que, grotescamente falando, a marcação de território deveria ser gritante.
Estimulada pela chamada onda de esquerda que cobre a região, Cristiane Batista Santos, citada por Julia em seu estudo, realizou análises para concluir que governos de esquerda que têm maioria legislativa tendem mesmo a gastar mais no setor social. Governos de direita com maioria legislativa, por sua vez, investem menos no social do que governos de direita minoritários.
A análise foi feita tomando o período entre 1980 e 1990 e teria mostrado melhores resultados quando considerado o gasto social agregado em educação e saúde como porcentagem do gasto público total.
Noves fora, Julia avalia que
Se considerarmos governos de esquerda os que defendem a tendência mais universalista e redistribuitiva das políticas sociais, se realmente são eles os que vêem no Estado um instrumento necessário para prover saúde e educação e seguridade social principalmente àqueles mais necessitados, Lula, Kircher, Chávez e Morales ainda têm um longo caminho pela frente.
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