Em 17 de maio faz quatro anos que pisei pela primeira vez na universidade como matriculado. Já tinha ido na Ufes em 1998 para participar da 2ª etapa de uma olimpíada de matemática. Como perspectiva me parece que qualquer tempo de espera seja longo demais; como retrospectiva o cacoeque é dizer mas como passou depressa!
Pois é. A turma que foi cobaia do currículo novo do curso de Comunicação da universidade está de partida. Entramos no CCJE, saímos no Centro de Artes. Vimos diversas mudanças ocorrerem. Entramos em um curso e saímos em outro, praticamente. E nesta semana já tem colação de grau e culto ecumênico:
- 19h30. Quarta – 05/03: Colação de Grau – Teatro Universitário da Ufes
- 20h. Quinta – 06/03: Culto Ecumênico – Paróquia de São Pedro – Enseada do Suá
E a quem interessar possa, eis que deixo o currículo do curso por aqui – Publicidade e Jornalismo.
Meu irmão, cinco anos mais velho, disse lá em 2004 que quando eu me formasse eu teria a idade dele – isso, claro, contando com possibilidade de greve. Essa foi uma das muitas histórias de que não fui testemunha na universidade. Não peguei nenhuma greve de professores e, antes do previsto, me formo com meus 22 anos – quatro anos e dois meses depois de ter entrado na Ufes.
Adiei um período pra me formar porque eu quis. Aliás, como muitos da minha turma também quiseram. Essa cerimônia é só de mentirinha. A formação com todos os proclames e burocracias necessários só acontece, também somente para alguns, neste primeiro semestre de 2008.

Vou lá eu saber se o curso de Comunicação é um caso tão à parte… mas os professores de Federal também não são os carrascos de que tanto ouvi falar.
Quando estava na 5ª série ouvia que na 8ª a turma iria ser tratada como adulta de verdade – iríamos aprender a ser responsáveis de verdade. A tal da 8ª série parecia o cúmulo da maturidade…. Quando cheguei lá não vi nada de assombroso e a promessa seria derradeira no ensino médio. O cumprimento da promessa tardou novamente mas não falharia no ensino superior.
Não existem carrascos mas ninguém é tratado com os cuidados de um jardim de infância. Até porque não é todo dia que se vê por aqui alguém chamando o outro de feio, chato, bobo, vou contar tudo pra mamãe e fazendo lingüinha desdentada.
Enrutisdo, engajadinho, ressentido, vendido ao sistema (…), talvez. Mas o que tive foram professores muitas vezes amigos, que sabem apoiar e incentivar o estudante que muitas vezes se vê sem muito rumo e sem saber direito o que fazer da vida.
Afaga o ego ter passado numa federal na primeira tentativa depois de passar meio ano estudando pra alguma engenharia. Sem muita confiança iria tentar pelo menos umas três vezes. A sacudida de alguns amigos e professores-amigos foi determinante pra ter mais auto-confiança. A responsabilidade é grande quando se é o único da família a chegar numa universidade. Comentários nem sempre diretos cobram resultados que não são necessariamente imediatos mas que sem dúvida alguma virão como um determinante elemento de mobilidade social.
A universidade tem dessas coisas também. Vc aprende a se virar, a ser mais autônomo, auto-confiante, politizado (…) e hehe o que ainda resta de miguxês tem grandes chances de ser purgado. Mas, como diria a colega Elaine “Tem gente que nunca deixa de ser calouro” e miguxinho também.
Alguns colegas, professores-amigos, teorias, autores e filósofos foram determinantes e de grande exemplo e referência para a minha formação – não carrego nos bytes ao digitar que seria outra pessoa sem essa minha estadia pela Ufes.
Mas subir mais alto na montanha ainda é preciso. Subir onde os ventos levam junto as moscas, os vermes e para onde o espírito subterrâneo não consegue chegar e, portanto, não pode ser corporificado junto com suas chagas derivadas. Um espírito subterrâneio no alto da montanha é um contra-senso em termos.
Por aqui e ao longo do blog já deu pra perceber que levo, ou passei a levar, na bagagem: Nietzsche, Schopenhauer, Dostoiévski, Machado de Assis, Antonio Negri, Maquiavel e, neste final de curso, Milton Santos e Manuel Castells (Obrigatório….) também.
Próxima parada: Mestrado!
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