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TCC, curso, mestrado, projetos e…

quinta-feira, 13 de março de 2008

…. tudo fica ao mesmo tempo agora. Pelo menos para os meus padrões. Na próxima semana apresento ao departamento o meu projeto de monografia. Na verdade ele tá pronto faz um bom tempo mas a entrega dá a sensação de que a coisa tá andando. De que a coisa é séria. De que o curso tá acabando mesmo. O resultado não ficou muito diferente do que já publiquei por aqui. Só ficou mais desmembrado.

Pelas contas que fiz a monografia deverá tá nas mãos da banca no prazo máximo de 27 de junho. A defesa, ou melhor, a explicação detalhada do que foi estudado, pode acontecer na última ou primeira semana de aula. Meu orientador recomendou que a apresentação aconteça ainda neste período, ou seja, entre os dias 07 e 11 de julho. Também já tenho os nomes de quem estará na minha banca – à exceção de quem me orienta, agora só falta avisar para os outros dois onde eles devem estar em algum dia dessa 2ª semana de julho.

O prazo é curto. Curto demais. Mas como Deus teria dito a Moisés com o exército de Faraó no encalço e o imenso mar à frente Por que clamas a mim? Diga ao povo que marche!

Tá, a situação não é tão dramática. Mas tô muito ansioso sim. Descobri que lamentar dá paralisia e ter ansiedade pra recuperar o tempo que se acredita ter perdido também. Daí tento sempre seguir em frente. Que pelo menos então o mar, um rio amazônico, que seja, se abra então….

Faz duas semanas também comecei meu inglês. Era mais coisa de iniciativa do que necessariamente uma falta de verba. Já comprei um dicionário inglês-inglês; passei a dar mais utilidade a um outro inglês-português que eu já tinha e que também relaciona a pronúncia e outras tantas aplicações das palavras; tô traduzindo um texto acadêmico por semana e, claro, como nunca antes, não poderia faltar na conta o acompanhamento de filmes e tentar encontrar algum sentido na sonoridade das músicas para além do padrão lá-lá-lá em versão americana.

Colocar tudo no papel ajuda bastante no bom andamento das coisas. Com um incentivo obrigação externo fica melhor ainda. No meu caso o incentivo é a preparação pro mestrado. A concorrência é grande. Já olhei os editais da UFF, UFRJ, UnB, UFRG, UFBa. Como não quero ficar muito longe do ninho é provável que a disputa pela minha próxima morada acadêmica fique logo alí, no Rio, com uns 45 minutos de vôo ou algumas horinhas de estrada.

Em breve também vou apresentar uma proposta de plano de comunicação para uma Ong daqui do estado chamada Acard. Ela desenvolve um trabalho bacana amparando pessoas que querem deixar de usar drogas. Mas ainda não se tem um planejamento de comunicação e o trabalho acaba sendo pouco divulgado. Até o final do mês converso com o pessoal de lá pra uma fase de reconhecimento de terreno pra depois seguir com o que pode ser feito com um planejamento propriamente dito.

Marche!

Ezequiel Vieira

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Semana calórica da Comunicação/Ufes

segunda-feira, 10 de março de 2008

Ainda não sei quem inventou isso. Mas a idéia é bem acolhedora nessa fase. A partir de hoje acontece a semana calórica do curso de Comunicação da Ufes. São palestras, oficinas e mostras onde os calouros conhecem mais de perto como o curso é, suas burocracias, guetos que às vezes nem veteranos conhecem etc etc.

Quem quiser, pode ir!

10/03 – Segunda-Feira

08h-10h: Café da Manhã

10h-12h: Apresentações institucionais – Cacos, Plural, DCE e DepCom

12h: Almoço no RU

14h-18h: Programação Centro de Artes – Auditório do Cemuni IV

- Mostra de Vídeos

- Produção Áudio-visual no Espírito Santo. Erly Vieira Jr.

11/03 – Terça-Feira

08h. Projetos Universitários

Pesquisa – Gabriel Herkenhof

Extensão – Simone Azevedo

09h: Apresentações – AexCom, Bandejão, AieSec, Conexões Saberes

10h30: Vitrine Ecos

14h: Oficinas

18h: GRAV

12/03 – Quarta-Feira

08h: Mercado de Trabalho

Agência Fire

Revista Quase – Juliano Enrico

Grupo Gazeta – Abdo Chequer

Jornal Online Século Diário – Renata Oliveira

12h: Cinemecos – Filme: Quase Famosos

14h: Oficinas

18h: Butecom

13/03 – Quinta-Feira

08h: Comunicação em meios virtuais

Jornalismo – Fabíola Zardini

Publicidade – Rosane Zanotti

10h: Mídias Alternativas

Olho da Rua – Karina Moura

Intervozes – Jacson Segundo

14h: Oficinas

18h: Noite de jogos

14/03 – Sexta-Feira

10h: Aula Inaugural – Alexandre Curtiss

14h: Oficinas

19h: Festa de encerramento

Oficinas:

Hipermídia – Gabriel Herkenhof e Thalles Waichert

Rádio – João Knop

Jingle – Carlos Augusto Debbane

Foto – Vinicius Langa

Intervenção Urbana – Ramon Zagoto

Teatro – Aline Dias e Hewillim Dias

Vídeo – Sérgio Rodrigo e Tâmara

Ezequiel Vieira

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Sociedade sem jornalismo por um dia

sexta-feira, 7 de março de 2008

Alguém hoje teve a mesma curiosidade que eu tive lá por 2005: Como seria a sociedade sem jornalismo? Pra ser mais exato a pesquisa foi por “como seria a sociedade em o jornalista”.

Segue o resultado do que dois pesquisadores de comunicação me retornaram por email

Eduardo Meditsch, doutor em comunicação pela Universidade Nova de Lisboa

Creio que se só os jornais impressos parassem, não haveria um grande transtorno, pois a sociedade está encontrando outros meios de se informar. As tiragens dos impressos tem caído cinco por cento ao ano, e nem por isso a sociedade se abala isso porque têm o rádio, a Tv e a internet. No recente crack da Argentina, os jornais quase pararam de vender, mas a audiência do rádio explodiu. O problema é se tivéssemos uma greve dos jornalistas de todos os meios, ou seja, se a sociedade passasse alguns dias sem o jornalismo. Provavelmente viveríamos uma sensação de grande insegurança, a boataria seria incontrolável, e as instituições ficariam ameaçadas. Mas se a greve se prolongasse surgiriam novas formas de informação, quer a partir de empreendedores oportunistas, quer através dos movimentos sociais e das próprias instituições (as habituais fontes jornalísticas), que desenvolveriam formas de se comunicar diretamente com a população. E aí, o jornalismo é que teria que provar a sua necessidade e reencontrar o seu espaço, provavelmente exercendo o seu papel com mais qualidade do que tem feito hoje.

Leticia da Costa, doutoranda, na época, em comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo

Trata-se de um assunto um tanto complexo, mas vamos lá: como já sentenciou o prof. José Marques de Melo, a comunicação é a base da vida em sociedade. Na atualidade, essa afirmação tem ainda mais sentido: a “informação” é a principal “moeda” de todos os sistemas sociais. Imagina, por exemplo, que a Embraer feche um contrado de x milhões de dólares e isso não é comunicado ao mercado? O que aconteceria com as bolsas, que são movimentadas por informações e especulações? Um caos total! Decisões políticas importantes, que igualmente não fossem comunicadas? Isso eclodiria uma reação em cadeia, causando sérios prejuízos em âmbito internacional (já que estamos ligados à imensa corrente da chamada globalização).Não. Não podemos viver sem informação, sem o trabalho do jornalismo diário… hoje. Digo mais, sem o jornalismo online, em tempo real. A sociedade caminha juntamente com os avanços na área da comunicação e os sistemas de comunicação se desenvolvem de acordo com as demandas da sociedade. Ambas fazem parte de uma mesma engrenagem: se uma parar, a outra fatalmente deixa de existir.

E o que vc acha?

Ezequiel Vieira

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Formação da turma 2004/1 de Comunicação na Ufes

terça-feira, 4 de março de 2008

Em 17 de maio faz quatro anos que pisei pela primeira vez na universidade como matriculado. Já tinha ido na Ufes em 1998 para participar da 2ª etapa de uma olimpíada de matemática. Como perspectiva me parece que qualquer tempo de espera seja longo demais; como retrospectiva o cacoeque é dizer mas como passou depressa!

Pois é. A turma que foi cobaia do currículo novo do curso de Comunicação da universidade está de partida. Entramos no CCJE, saímos no Centro de Artes. Vimos diversas mudanças ocorrerem. Entramos em um curso e saímos em outro, praticamente. E nesta semana já tem colação de grau e culto ecumênico:

  • 19h30. Quarta – 05/03: Colação de Grau – Teatro Universitário da Ufes
  • 20h. Quinta – 06/03: Culto Ecumênico – Paróquia de São Pedro – Enseada do Suá

E a quem interessar possa, eis que deixo o currículo do curso por aqui – Publicidade e Jornalismo.

Meu irmão, cinco anos mais velho, disse lá em 2004 que quando eu me formasse eu teria a idade dele – isso, claro, contando com possibilidade de greve. Essa foi uma das muitas histórias de que não fui testemunha na universidade. Não peguei nenhuma greve de professores e, antes do previsto, me formo com meus 22 anos – quatro anos e dois meses depois de ter entrado na Ufes.

Adiei um período pra me formar porque eu quis. Aliás, como muitos da minha turma também quiseram. Essa cerimônia é só de mentirinha. A formação com todos os proclames e burocracias necessários só acontece, também somente para alguns, neste primeiro semestre de 2008.

Vou lá eu saber se o curso de Comunicação é um caso tão à parte… mas os professores de Federal também não são os carrascos de que tanto ouvi falar.

Quando estava na 5ª série ouvia que na 8ª a turma iria ser tratada como adulta de verdade – iríamos aprender a ser responsáveis de verdade. A tal da 8ª série parecia o cúmulo da maturidade…. Quando cheguei lá não vi nada de assombroso e a promessa seria derradeira no ensino médio. O cumprimento da promessa tardou novamente mas não falharia no ensino superior.

Não existem carrascos mas ninguém é tratado com os cuidados de um jardim de infância. Até porque não é todo dia que se vê por aqui alguém chamando o outro de feio, chato, bobo, vou contar tudo pra mamãe e fazendo lingüinha desdentada.

Enrutisdo, engajadinho, ressentido, vendido ao sistema (…), talvez. Mas o que tive foram professores muitas vezes amigos, que sabem apoiar e incentivar o estudante que muitas vezes se vê sem muito rumo e sem saber direito o que fazer da vida.

Afaga o ego ter passado numa federal na primeira tentativa depois de passar meio ano estudando pra alguma engenharia. Sem muita confiança iria tentar pelo menos umas três vezes. A sacudida de alguns amigos e professores-amigos foi determinante pra ter mais auto-confiança. A responsabilidade é grande quando se é o único da família a chegar numa universidade. Comentários nem sempre diretos cobram resultados que não são necessariamente imediatos mas que sem dúvida alguma virão como um determinante elemento de mobilidade social.

A universidade tem dessas coisas também. Vc aprende a se virar, a ser mais autônomo, auto-confiante, politizado (…) e hehe o que ainda resta de miguxês tem grandes chances de ser purgado. Mas, como diria a colega Elaine “Tem gente que nunca deixa de ser calouro” e miguxinho também.

Alguns colegas, professores-amigos, teorias, autores e filósofos foram determinantes e de grande exemplo e referência para a minha formação – não carrego nos bytes ao digitar que seria outra pessoa sem essa minha estadia pela Ufes.

Mas subir mais alto na montanha ainda é preciso. Subir onde os ventos levam junto as moscas, os vermes e para onde o espírito subterrâneo não consegue chegar e, portanto, não pode ser corporificado junto com suas chagas derivadas. Um espírito subterrâneio no alto da montanha é um contra-senso em termos.

Por aqui e ao longo do blog já deu pra perceber que levo, ou passei a levar, na bagagem: Nietzsche, Schopenhauer, Dostoiévski, Machado de Assis, Antonio Negri, Maquiavel e, neste final de curso, Milton Santos e Manuel Castells (Obrigatório….) também.

Próxima parada: Mestrado!

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Pesquisas e a pintura da realidade ao sabor do que se crê

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Tecnologia sozinha não faz política!

Vai saber se alguém chegou a mudar a proposta de tcc com medo de que alguém roubasse a idéia. Mas teve quem se sentiria mais a vontade se a conversa de orientação com a professora fosse bem ao pé de ouvido. Se possível, com hora individual marcada. O que tinha de mais interessante na massante aula de Métodos e Técnicas de Pesquisa em Comunicação, vulgo pré-tcc, era todo o cuidado quando era apresentado o que se pretendia estudar.

No primeiro dia de aula ao ritual de cada um dizer seus os nomes se somou a apresentação da idéia de projeto que eventualmente alguém já tivesse: todos tinham nome… mas qualquer criança de dois anos saberia contar quantos vinham com um tema já definido. No final do período veio a pergunta:

- Tem mesmo que apresentar, professora?

- Tem sim. Vale nota.

O resultado foi que fiquei sabendo em primeira mão as intenções de pesquisa na Ufes para este 2008/1:

Projeto de criação de uma agência de comunicação; plano de comunicação para um negócio da família; alguma coisa sobre como a imprensa trata da prostituição; o quanto as assessorias de mercado imobiliário pautam o jornalismo; a defesa da tese de que a comunicação interna das empresas ainda é deficiente; a evolução do reposicionamento de imagem de Lula ao longo de suas candidaturas; a evolução do desing de capa da revista Rolling Stone; o jornalismo cultural 2.0 etc etc.

Um levantamento iria mostrar um grande aumento de estudos relacionados à internet, apesar de que neste semestre não parecem ser tantos quantos foram no período passado. O que mais me chamou atenção mesmo é um projeto de uma colega que pretende avaliar se o ambiente digital pode ser suporte de ação para os movimentos sociais – bem na lógica binária do tudo ou nada pelo o que entendi.

Acontece que ela não tem uma tese que pode vir ou não a ser comprovada pela pesquisa. A colega tem um fato sobre o qual ela vai escrever. A tese/fato é cheia de problemas e de convicções que querem virar dado da realidade assim como dois e dois são quatro, o Brasil é pentacampeão mundial e Lula é o atual presidente brasileiro. Existe a crença de que a internet não pode ser usada como meio de mobilização política. A evidência mais gritante seria vista pelo o que as pessoas mais acessariam: sexo, sites de relacionamento, programas de bate-papo, entreterimento a não mais querer etc.

04/05/06 – É possível sim organizar movimentos pela internet. Estive presente em um Congresso no Rio semana passada e pude ouvir uma palestrante falando exatamente sobre isso.

Minha grande pergunta é/foi: Mas foi a internet quem trouxe essa tal massa alienada? A partir de que momento a intensidade do envolvimento político, tal como a projeto de pesquisa parece idealizar, foi satisfatória o bastante a ponto de que um possível retorno a essa tal realidade pudesse resgatar o presente de sua fragilidade a ser robustecida e ilustrada politicamente? Não sei se o autor vai constar na bibliografia da pesquisa mas Manuel Castells é insistente ao afirmar que a internet não reinventa a roda; ela desenvolve e potencializa aquilo que a a sociedade já tem.

01/06/07 – É inegável que “a luta reacendeu com uma força fantástica com o advento da internet”.

A digitalização traz uma matriz distribuída. Um novo paradigma que se caracteriza pela horizontabilidade cooperativa”. Descobrir novas formas de narrativas e de se fazer política se faz necessário. Os modelos anteriores parecem esgotados.

Uma evidência mais metodicamente encontrada sobre a alienação que a técnica promoveria seriam os dados de uma pesquisa feita com líderes comunitários de Vitória. A própria colega buscou saber o quanto de aglutinação em rede esses líderes promovem. A começar que o próprio uso de telefone parece ser luxo – luxo que até minha vó tem, ela que mora no distrito de Timbuí do modesto município de Fundão.  Email, computador próprio, acesso à internet parecem ser coisas mais do que restritas ao mundo daselite.

O problema desse tipo de pesquisa é que ela pinta a realidade ao sabor daquilo que já se tem como crença e/ou fato – o que acaba por sumariamente eliminar os dados que possam apontar outra coisa. Na verdade a questão é outra.

Esse tipo de pensamento que tanto costuma dizer que busca inspiração em Milton Santos deve ter feitos sim uma ampla leitura daquilo que ele escreveu. Da mesma forma que ouço gente dizer que é marxista sem nunca ter passado da orelha de O Capital. “Pelo menos tenho ideologia”, dizem. Sim. Ideologia ingênua e incompente do “ouvi dizer”. Também ouvir dizer que era verso bílblico algo como de “mil passarás mas de dois mil não passarás”. Mal e porcamente li a bíblia três vezes e nunca achei tal profecia que errou em pelo menos oito anos…

Milton Santos faz sim uma contundente crítica à globalização, que ele caracteriza como uma tirania da informação e do dinheiro que promovem exclusão e desencadeiam violências sistêmicas. Mas ele tá longe de atribuir à técnica em si a determinação para qualquer tipo, ou para qualquer escala, de ação política.

21/05/07 - A fala de Giuseppe se encerra com uma questão em aberto e ao mesmo tempo retórica. De que forma se pode fazer com que a sociedade seja cidadã, e por fim produtiva, se de forma maciça ela não tem acesso aos meios de produção para fazer circular o seu trabalho na lógica de redes, uma vez que – como tanto frisa Vilches com boa dose de ceticismo – a internet traz uma técnica com grande horizontabilidade e potencial democrático, mas a intenção política é pré-requisito espinhal para que essa virtualidade democrática se materialize (ou se atualize – para se opor ao conceito de virtual).

Para o bem ou para o mal é o mesmo Milton Santos quem escreve que “é o homem quem fabrica a natureza, ou lhe atribui valor e sentido, por meio de suas ações já realizadas, em curso ou meramente realizadas.”

Ou seja, Tec-no-lo-gi-a so-zi-nha não faz po-lí-ti-ca.

A grande questão é a ser problematizada é saber por que, uma vez podendo, esses tais líderes comunitários não usam as novas tecnologias como novo suporte de ação. Nesse contexto a entrevista publicada em setembro passado cai como uma luva – “Temos muitas possibilidades, mas pouca vontade de agir”.

3. Até que ponto as TICs [teconogias de comunicação e informação] vem sendo usadas pelos movimentos sociais como instrumento de mobilização política? Quais os principais avanços e desafios podem ser identificados?

Creio que as TICs sejam potencialmente revolucionárias na capacidade de dispor conteúdos para além da pauta hegemônica, conectar pessoas mundo afora, reforçar comunidades, contradizer “verdades”, articular movimentos etc. Mas acho que vivemos um paradoxo: temos muitas possibilidades de ação, mas pouca vontade de agir. Parece-me que falta projeto de transformação capaz de mobilizar a maioria. Vive-se um desencanto com a política de verdade, aquela, nas palavras de Milton Santos, capaz de pensar as mudanças e criar as condições de torná-las efetivas.

Esse déficit gera a pauta da “política da vida” (Bauman), em que a nossa agenda é sobreviver, cuidar do próprio destino, como se fosse possível estar insulado num oceano de problemas coletivos. De qualquer maneira, toda revolução só se faz por processo e por educação. Ter tecnologias que somam e potencializam esse projeto já é algo a se destacar. Ter movimentos sociais e articulações várias usufruindo dessas tecnologias é um bom sinal. É mostra de que em uma realidade hegemônica renovada em suas estratégias, novos caminhos contra-hegemônicos se estabelecem.

O grande lamento a ser feito, ou melhor, o grande ponto a ser problematizado e superado é essa política míope que ainda carrega no andar o peso e o tilintar do maquinário e o cheiro da oleosidade industrial.

25/05/07 – Uma outra mudança estrutural do modo de se fazer política seria desencadeada a partir dos movimentos zapatistas, de Seatle e fóruns sociais mundiaisver texto ‘Auto-Organização da Inteligência Coletiva Global – Uma estratégia para o movimento pós-Seattle-Gênova por Franco Berardi (Bifo)”.

Ainda no que Milton Santos escreveu

“Os sistemas técnicos de que se valem os atuais atores hegemônicos estão sendo utilizados para reduzir o escopo da vida humana sobre o planeta. No entanto, jamais houve na história sistemas tão propícios a facilitar a vida e a proporcionar a felicidade dos homens. A materialidade de que o mundo da globalização está recriando permite um uso radicalmente diferente daquele que era a base da industrialização e do imperialismo.

A técnica das máquinas exigia investimentos maciços, seguindo-se a necessidade e a concentração dos capitais e do próprio sistema técnico. Daí a inflexibilidade física e moral das operações, levando a um uso limitado, direcionado, da inteligência e da criatividade. Já o computador, símbolo das técnicas de informação, reclama capitais fixos relativamente pequenos, enquanto seu uso é mais dependente da inteligência. O investimento necessário pode ser fragmentado e torna-se possível sua adaptação aos mais diversos meios” – grifos meus.

09/05/07 – A luta política hoje não se fará entre entre direita e esquerda, mas entre quem vê televisão sem uma resposta e quem adere a Net com uma informação muito mais completa e que todos podem gerir e alimentar – Derrick de Kerckhove.

Ezequiel Vieira

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Peregrinando rumo ao mestrado

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Durante essa semana acessei alguns editais de mestrado. Entre federais de Minas, Rio-São Paulo, Bahia, Brasília e Rio Grande do Sul devem ter sido umas dez. Uma das minhas principais desculpas pra adiar o curso era meu inglês pífio e acreditar que  não tenho bagagem teórica o bastante. Nada que não possa ser resolvido com uma boa pesquisa pra ver como a coisa de fato funciona.

A minha surpresa foi que, pelos sites que passei, só na UFMG e na UFBa o inglês é obrigatório e chega a ser eliminatório. Nas demais universidades conta ponto, um em dez em alguma que não me lembro agora, e só elimina em caso de empate na pontuação total em outras avaliações da seleção – nada que um auto-didatismo que dá pro gasto e um intensivo de inglês não consiga ajudar até começo de agosto, fase em que as inscrições costumam começar.

Quanto aos livros, contando por universidade, até que não são tantos; na minha mania de ir comprando pelo menos um por mês e que deixo pra ler amanhã, até que eu tenho alguns deles. Acho que o grande diferencial mesmo vai ser caprichar na estruturação do projeto e ser bem, vejamos, apaixonado na hora de defender a viabilidade da elaboração da pesquisa no tempo máximo de dois anos.

Na semana que vem é procurar saber como se faz pra conseguir bolsa de estudos em Capes, CNPqs, Facietcs (….) da vida.

Ezequiel Vieira

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Novas formas de produtividade no “Comunismo das Redes”

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Os atuais estatutos de trabalho estão cada vez mais precarizados.

Em março passado o professor de jornalismo digital daqui da Ufes, Fábio Malini, defendeu sua tese de doutorado na Federal do Rio de Janeiro – O Comunismo das Redes. Sistema midiático p2p, colaboração em rede e novas políticas  de comunicação na Internet (pdf).

A defesa fundamental da tese vem de uma citação de Derrick de Kerckhove para quem a luta política hoje não se fará entre entre direita e esquerda, mas entre quem vê televisão sem uma resposta e quem adere a Net com uma informação muito mais completa e que todos podem gerir e alimentar.

Acesse mais na postagem “A fuga das fábricas, o encontro nas redes”. Eis um trecho

A empresa, e não mais a fábrica, se moderniza e se modifica em uma dinâmica de redes. Se a questão do trabalho assalariado não é mais mecanismo fundamental de integração social, Cocco destaca que temos de pensar então esse mesmo elemento como ponto de partida para que uma lógica de inclusão se estabeleça. “A cidadania não é mais o resultado a ser alcançado, mas o ponto de partida para que o comum se constitua e haja na sociedade uma mobilização produtiva”.

O que fazer? A democratização para o crescimento e o crescimento para algo

A constituição da cidadania seria a condição pressuposta para uma política econômica que, digamos assim, esteja de acordo com a lógica de produtividade de riqueza hoje. Isso parte da constatação, um tanto óbvia a partir da discussão feita no seminário, de que “desenvolvimento econômico que não debater a nova economia, que se pauta pela produção imaterial, não pode ser chamado de desenvolvimento econômico.”

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Blogs metropolitanos: “É hora de construir bairros na rede”

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Eis mais um artigo ou, para ser mais exato, eis mais um trabalho de final de semestre. Feito para a discisplina Internet e Jornalismo Cidadão, este é o trabalho final feito com a colega Camila Fregona.

O artigo segue abaixo na postagem. Quem preferir também pode fazer download.

Resumo: O presente artigo faz uma avaliação das
práticas de blogs metropolitanos das cidades de São Paulo e do Rio de
Janeiro. Antes, são feitas considerações sobre o contexto social
contemporâneo que possibilita essa prática em redes virtuais desde uma
perspectiva pela qual a produção de comunicação e cultura se torna cada
vez mais democratizada e sua distribuição e acesso se torna também mais
facilitados.

Palavras-Chaves: Redes Sociais; Blogs metropolitanos; Subjetividade; Sociedade em Rede; Jornalismo hiperlocal

Blogs metropolitanos: “É hora de construir bairros na rede”

Lorenzo Vilches (2003) identifica que com a introdução da indústria
e do mercado, a partir do século XVI, o intercâmbio do conhecimento
passa a experimentar grandes mudanças na estratégia política e cultural.

O acesso ao saber, que antes era restrito ao um detentor do
conhecimento, se dispersa, se espalha e se globaliza a partir de quatro
estágios básicos propostos pelo autor: (mais…)

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Filosofia e catarse

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Fico imaginando o quanto de material que a academia produz e que fica estocado pra sabe Deus quem. Acho que, digamos assim, deveria ganhar o mundo.

Não sabia, por exemplo, que o simples fato de disponibilizar meu relatório final de iniciação científica por aqui fosse me render alguns cumprimentos, me pareceu algo tão natural…

Uma tarefa que penso em começar a fazer é buscar saber o que as universidades fazem com as pesquisas realizadas [tccs, mestrados, doutorados, iniciação científica etc] e como disponibilizam isso. Talvez seja falha minha, mas mal sei como esse processo de arquivamento e hipotética disponiblização é feito pela Ufes.

Mas enfim. A postagem é pra disponibilizar o Estudo Dirigido feito para a disciplina Filosofia e Ética. Digamos que o estudo ainda não foi sancionado pelo professor, mas já fica por aqui a quem interessar possa. (mais…)

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Autor de “A Cabeça do Brasileiro” estará em mesa-redonda na Ufes

sábado, 24 de novembro de 2007

24/11/07 – Nesta segunda-feira (26/11) ocurso de ciências sociais da Ufes promove uma mesa-redonda com a presença do sociólogo e professor da UFF, Alberto Almeida. Ele, que também esteve no Roda Vida em agosto para debater o mesmo tema, vem falar sobre o seu livro “A Cabeça do Brasileiro” – também tem esse vídeo no Youtube.

Ainda não tive acesso à obra, mas quem já leu diz que ela traz um perfil dos valores, atitudes e opiniões dos brasileiros sobre uma grande variedade de temas como a sexualidade, a família, a economia, a religião etc. O livro, apesar de ter sido fruto de uma pesquisa social quantitativa, vem se tornando um best-seller e atraindo a atenção da impresa e do público em geral.

Para debater a Pesquisa Social Brasileira (PESB) da qual deriva boa parte dos dados do livro, a mesa-redonda também contará com a presença do ex-professor Ufes Jaime Roy Doxsey (responsável pela PESB no ES), da professora da UVV, Maria Angela Soares e do assessor para projetos especiais do governo do estado do ES, Leonardo Bis dos Santos, ambos ex-alunos da Ufes.

Lembro que o Alon, do blog que acompanho com freqüência, fez parte do grupo que entrevistou Alberto Almeida quando ele participou do Roda Viva – mas não consegui ver a íntegra do programa.

A espinha dorsal da tese de Alberto, pelo o que foi explicado nesta postagem, [tem essas outras também] é que existiria uma correlação estatística entre ética e escolaridade. Na prática, isso implicaria que aquele que conta com mais estudo também tem mais consolidado, em princípio, os valores fundamentais que permitem diferenciar entre o bem e o mal, entre o certo e o errado.

Mas se isso é verdade, aponta Alon, então a recíproca também é verdadeira: quem tem menos escolaridade tem, também, taxas menores de convicção quanto a esses valores. “Ou seja, segundo o professor, a baixa escolaridade seria responsável por um ‘déficit ético’ que variaria inversamente ao número de anos passados na escola.”

A mesa-redonda acontece no campus da Ufes em Goiabeiras lá no auditório do IC2, às 19h. Nesse mesmo horário também rola pela universidade o V Fórum Regional de Comunicação (Foco) e as palestras que me interessaram são justamente à noite.

Tal como aqui, vou ter que priorizar de novo. Na terça-feira venho com o resultado de um desses encontros.

Programação do Foco: (mais…)

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