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Inclusão digital sem aumento de banda larga é discurso vazio

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Depois de publicar lá no Infovix que inclusão digital deve incluir não só acesso a computadores mas a uma banda larga decente, encontro essa oportuna matéria d’O Globo republicada lá no Observatório da Imprensa – Internet a lenha.

O Brasil dispõe de um dos piores serviços de internet em banda larga do planeta. Enquanto a média mundial de velocidade é de 13 megabits por segundo (mbps), 90% dos assinantes brasileiros acessam a rede a, no máximo, 2 mbps. Assim mesmo, nos horários de pouco tráfego. Isso porque as operadoras só se obrigam, por contrato, a garantir conexão a 10% da velocidade contratada. Como a internet é considerada um serviço de valor adicionado oferecido pelas operadoras, a Agência Nacional de Telecomunicações não fiscaliza, não supervisiona, nem regula as operações.A União Internacional de Telecomunicações (UIT) define banda larga como conexões iguais ou acima d e 2 mbps. Como a maior parte dos contratos não garante além de 10% da velocidade contratada, conclui-se que para a maioria dos brasileiros banda larga é, sem trocadilho, uma conexão virtual. Pior que isso: pagamos pela nossa velocidade de carroça mais que os países europeus e que nossos vizinhos sulamericanos.

Acesso caro

Em julho do ano passado, o custo médio mensal, no Brasil, era de US$ 30 por 128 quilobites por segundo (kbps). Nossos irmãos argentinos pagavam, na mesma época, US$ 27 por 512 kbps; e os chilenos, US$ 34, em troca de 300 kbps.

Na abertura do evento Portugal Tecnológico, em Lisboa, em novembro de 2008, ouvimos que o projeto do governo era transformar Portugal numa potência tecnológica. Para isso, o desafio era interligar 100% do país por fibras ópticas e oferecer a todas as empresas e cidadãos acesso à internet a velocidades de 100 mbps.

Achamos, no mínimo, um exagero, mesmo para um país tão pequeno como Portugal. Quando lá voltamos, em maio último, 100% do país estava interligado por fibras ópticas (1% por satélite). E ouvimos que até o fim do ano a Portugal Telecom teria vendido 1 milhão de pacotes de 20 ou 100 mbps. Os de 20, a cinquenta euros mensais. Os de 100, a setenta.

Apenas 4,6% da população brasileira acessam os serviços de banda larga. Na Argentina, a cobertura alcança 6,6%. No Chile, 8,8%. E, na Coreia do Sul, 26%. De onde se conclui que a conexão em banda larga, no Brasil, não só é ruim, como também é limitada e cara.

A maioria dos municípios brasileiros não oferece conexão dedicada à internet. Só acesso discado. Muito menos banda larga. Por total desinteresse das operadoras locais. No Rio de Janeiro, nem os municípios da Região Metropolitana, ou sequer os bairros da Zona Oeste, têm, na sua maioria, acesso a esse serviço. Pior ainda: paga-se no Rio o acesso mais caro do Sul e do Sudeste, por conta de um ICMS 20% acima dos demais estados da região.

Discurso vazio

Instalar computadores nas escolas e distribuir milhares de laptops a professores sem disponibilizar conexão em banda larga é jogar dinheiro fora. Sem conexão que permita baixar filmes, imagens e programas mais pesados, educação pela internet não passa de ficção. Banda larga não é um luxo, nem se instala computador em escola para jogar paciência e enviar e-mail. Sem banda larga, jamais nos inseriremos na sociedade da informação.

Se há uma área em que o Estado precisa intervir para botar o Brasil em pé de igualdade com seus concorrentes é a da internet. Essa é uma responsabilidade dos ministérios da Educação, das Telecomunicações, da Ciência e Tecnologia, dos estados e municípios. Sem uma política pública que exija universalização, qualidade e preço, o serviço de banda larga existente deterá o desenvolvimento tecnológico do país.

Sem infraestrutura tecnológica de qualidade e barata, nosso ingresso na Era do Conhecimento não passará de discurso vazio. Num mundo que se move a terabites por segundo, não serão os maiores que engolirão os menores, mas os mais rápidos que engolirão os mais lentos.

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Lei de controle à internet em debate em Vitória

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Estarei lá. Nesta sexta-feira, às 10h, acontece um ato público na Assembléia Legislativa para debater o projeto de lei do senador tucano Eduardo Azeredo.  Os debatedores serão o professor de Comunicação Social da Universidade Federal do Espírito Santo Fábio Malini, Oona Castro do Intervozes e  a deputada federal Iriny Lopes (PT). A mediação será feita pelo deputado estadual Claudio Vereza (PT).

meganao

Como fiz enquanto escrevia sobre aquela ação tabajara de reestatização da Vale e sobre o comércio aos domingos, quarta-feira passada também mandei email para os deputados estaduais capixabas pedindo posicionamento sobre a Lei Azeredo – já esperando pouco ou nenhum retorno.

Por ora, tô comparando o projeto de lei inicial, o substitutivo de Azeredo, também lendo um bate-papo com o deputado Semeghini (PSDB-SP), relator na Câmara da Lei Azeredo, realizado na quinta-feira passada. Tô vendo o que sai desse balaio para fazer minha matéria em Infovix.

Imagem – thalles.blog

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Prática inicial do blog da Petrobras não é rotina nos EUA

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Sim, resolvi adiar a minha inscrição de mestrado para o ano que vem. Parte do que previa acontecer para participar ainda neste ano não aconteceu, então bola pra frente mais uma vez. O tema de pesquisa ainda deve ser o mesmo – adaptação da comunicação organizacional na comunicação distribuída.

Os ânimos estão mais calmos, muita coisa já se disse, então fica apenas o registro sobre o tal blogue da Petrobras - que aliás aposentou um outro em dezembro passado. Vejo aqui um bom estudo de caso pra minha pesquisa e lá no meu delicious tô fazendo o trabalho de forguinha pra juntar os zilhões de posts publicados.

Sobre o blogue, boa iniciativa da Petrobras. Só achei estranha a muvuca inicial de publicar as perguntas dos jornalistas antes da finalização da matéria – apesar de ser lembrado de que não existe sigilo de pergunta.

O Código Aberto veio com essa de que o que a Petrobras passou a fazer já seria uma rotina nos Estados Unidos,  até mesmo por parte de órgãos do governo federal.

Os jornais O Globo e Folha de S.Paulo foram os que mais reagiram à iniciativa da empresa que resolveu usar ferramentas digitais para transformar-se num canal de comunicação, a exemplo do que já ocorre com a maioria das grandes empresas nacionais e internacionais.

A irritação dos jornais vem do fato de que o blog da Petrobras permite uma comparação entre o que a empresa forneceu aos jornalistas e o que foi publicado. Com isto é possível identificar erros de contexto, omissões e equívocos de transcrição.

O que o blogueiro não disse na postagem, mas que depois perguntei nos comentários, é que “os comunicados e entrevistas dados por membros do governo e grandes empresas são postados simultaneamente à publicação do material na imprensa, e todos os reporteres sabem que este é o procedimento usual.”

Ora, não me pareceu que a “grande mídia” reagiu à prática de transparência da Petrobras mas ao modo como ela começou a ser feita – mesmo que, de novo, não exista o tal sigilo de pergunta. A prática inicial de transparência da Petrobras, foi bem mais específica, ou melhor, política.

Mas parece que agora sim o blogue da Petrobras vai seguir a prática de transparência conforme o que já seria rotina nos EUA, segundo citado no blogue Código Aberto para criticar a reação da ”grande mídia”. A “comparação entre o que a empresa forneceu aos jornalistas e o que foi publicado” ainda poderá ser feita e a “grande mídia”, vide O Globo, Folha, Estadão e outros tantos por aí.

Sob esse ponto de vista, os tópicos da postagem do Azenha “Por que os jornais investem contra o blog da Petrobras?” não fazem o grande sentido conspirador que ele busca dar. Mas acredito que a grande pensadora Marilena Chauí não pensaria duas vezes ao reafirmar os motivos relacionados por Azenha.

Fico com as postagens do Claudio Abramo – I e  II -, Pedro Dória e Sergio Leo.

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Pague dez e leve um com a conexão 3G

terça-feira, 19 de maio de 2009

Comprar um produto e só poder usar a décima parte dele é perfeitamente legal. Não adianta reclamar. Foi isso que o Luiz descobriu quando adquiriu a tal da conexão 3G da Claro.

O contrato que é assinado com os provedores de internet possui uma cláusula que permite a elas somente fornecer 10% do que é contratado, dessa maneira quem adquire 1 mega/s e recebe 100 kbp/s não pode reclamar pois as empresas argumentam que cumprem o contrato. Dessa maneira as empresas podem multiplicar por 10 seu lucro sem necessidade de investir, somente remanejando a banda que é paga por você.

Agora o Luiz criou páginas no twitter  – tag #3fail – e no delicious para indexar o que sai nessas redes sociais sobre a conexão 3G.

Proteste aí!

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Como reconfigurar comunicação e representação com a Internet?

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

O Luiz fez uma postagem sobre a mudança do layout do site da Casa Branca, agora mais informal e com um blogue, apesar de não ter espaço para comentários, ainda que moderados. A proposta, dizem, é fazer um website que possibilite um máximo de comunicação, participação e transparência. A promessa? “Will put citizens first”.

Daí, dentre outras outras questões, Luiz pergunta: “quando os políticos e as empresas brasileiras irão mudar sua postura diante da internet? Quais seriam os principais motivos para a resistência da internet como canal de comunicação em uma empresa brasileira atualmente?”

Tentei responder comentando por lá.

A propósito: foi lançado um livro cooperativo sobre uma espécie de modelo de agência de comunicação  - La Nueva Agencia. Ainda não li mas é bem comentado.

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Projeto de lei chileno quer desconectar usuários de P2P

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

É claro que não é só o Brasil com nosso Azeredo. O Chile neste mês também esteve às voltas com gente que quer legislar sobre o que não conhece.  Por aqui existe a intenção de aplicar prisão e multa para quem infringir às tais regras. Pelo Chile, dentre outras coisas previstas no artigo que seria adicionado à legislação de propriedade intelectual do país, o camarada poderia perder sua conexão com a Internet no intervalo de tempo de três meses a um ano.

Por ora, o projeto foi retirado de votação.

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É a educação e não a questão salarial o que deve mobilizar a sociedade, afirma Negri

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Termina hoje à tarde a edição que aconteceu na Ufes do seminário MundoVix. O evento prossegue na semana que vem na UFRJ com o foco em uma outra temática: da relação entre Metrópole, Globalização e Trabalho para as questões sobre direito autoral.

Das palestras que aconteceram por Vitória, fui em algumas. Fiz algumas anotações que não ficaram tão fiéis quanto as da Flávia. Ainda assim, vou me arriscar em postar algumas coisas com ênfase para a palestra de Antonio Negri hoje pela manhã – As Instituições do Comum  na Globalização.

Como comentei, as palestras foram uma continuidade do Seminário de maio de 2007, A Constituição do Comum. A proposta do conceito de Comum seria a possibilidade de construir plataformas de entrecruzamento. Pontos de encontro. Plataforma comum de convivência. Isso não quer dizer que as pessoas tenham que ser reunidas em uma unidade de representação. Mas que sua ação cooperativa e singular possa vir a construir algo que lhes seja comum.

Negri dar o nome de Multidão para essas singularidades que não podem ser representadas mas podem vir a agir em torno de um comum. A produção de riqueza não teria mais sua origem nas fábricas. A metrópole estaria para a Multidão como a fábrica esteve para a classe operária. Negri aponta para uma difusão da produtividade e da criação de valor para o campo das relações sociais.

A fábrica e o social se informatizam e o trabalho se daria em redes que desenham a cidade de forma muito parecida com o que acontece com as redes virtuais na Internet. Exatamente por isso, o Capital passaria a buscar extrair sua valorização através de uma imersão nas relações e na produtividade social – cada vez mais espalhadas pela cidade através de redes de saber.`

Sem se aprofundar na questão, Negri argumentou que o capital financeiro é necessário ao desenvolvimento da humanidade – talvez uma proposição impossível de se ouvir na tal da esquerda tradicional. A questão não seria apontar o capital financeiro como intrinsicamente corrupto. O grande ponto seria saber como gerenciá-lo a partir de dentro e tirar essa separação entre as práticas do mercado e as do social.

De uma maneira geral, Negri critica que aqueles que costumam levantar a bandeira do social não sabem se organizar. Para ele, por exemplo, ”A esquerda na Europa acabou”. Teria acabado, lá e cá, porque ter ficado presa ao passado e insistir em ler a atualidade com as mesmas lentes que Marx leu o seu tempo e lançou uma perspectiva sobre o desenvolvimento do capitalismo. A teoria marxista ainda seria válida mas ela não daria mais conta de uma interpretação política do presente.

De um capitalismo antes caracterizado como industrial, a proposta de pespectiva negriana é caracterizá-lo como capitalismo cognitivo. Segundo Negri, é exatamente quando essa noção de capitalismo cognitivo é aprofundada é que se pode pensar na Constituição de um Comum – por meio da qual uma dada da realidade poderia ser mudada. “Quando a produção se socializa agimos como se o salário tivesse que ser conquistado socialmente”, afirma o filósofo.

Para essa conquista acontecer, dados os atuais meio produtivos, tal como Giuseppe Cocco afirmou no Seminário passado, Negri retoma que é necessário extender a todos o direito à educação. A questão do trabalho assalariado não seria mais o mecanismo fundamental de integração social e elemento pelo qual os sindicatos deveriam se mover. A cidadania, antes talvez entendido como simples conquista salarial, não é mais o resultado a ser alcançado. A defesa é que este seria exatamente o ponto de partida para que o Comum se constitua e haja na sociedade uma mobilização produtiva. “Não nos referimos a uma produção de riquezas mas sim a de pessoas”.

A organização da sociedade não teria nada a ver com o modo industrial. Não existiria a mesma hierarquia virtual. As cooperações que surgem não são organizados e teriam muito a ver com o aleatório. O desafio de agora seria o de organizar capacidades de cooperação em diversos projetos.

Seria necessário quebrar hierarquias. Romper com o “aprisionamento do conhecimento”. Dessa forma, para Negri, é necessário construir o Comum a partir de dentro das instituições. “Fazer instituições do Comum é associado ao saber, interno à Metrópole e que ao mesmo tempo seja capaz de destruir relações desiguais”, afirma o filósofo.

Uma mudança social não seria partidária ou a partir de uma outra forma representacional. Para Negri é necessário, vamos dizer assim, de uma educação, de um exercício para fazer o que ele chama de Multidão e por fim constituir algo tão central ao seu pensamento, o Comum. 

Sobre a versão do seminário que aconteceu em 2007, acesse também

21/05 – “A fuga das fábricas, o encontro nas redes”

24/05 – Internet: “O gato saiu do saco”

24/05 – “A televisão é controle da subjetividade”, diz filosófo

24/05 – “Com a economia intangível, a identidade se torna algo em construção, aberto a mudanças”, diz Antoine Rebiscoul

24/05 – “A Internet é a utopia de que qualquer um comunica”, provoca midiativista espanhol

25/05 – “A mudança não passa pela delegação de representação”, conclui editor da Le Diplomatique

25/05 – Seminário “Cultura e Conflitos no Capitalismo Contemporâneo” via internet

12/06 – A produção do imaterial na cidade

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Multimídia e redes sociais destacam-se nos assuntos mais buscados no Google

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O Google liberou a lista das palavras mais procuradas mundo afora.  No topo da ranking mundial aparecem termos que remetem, em primeiro lugar, às eleições americanas, e em seguida, às olimpíadas. Minha surpresa é que o termo que aparece em primeiro lugar remetendo às eleições nos EUA não é “Barack Obama” – lá na sexta posição. Nas buscas o nome da vez foi “Sarah Palin”.

Dentre o que é mais buscado pelo pessoal mundo afora, destaca-se termos relacionados à multimidia e sites de relacionamento.

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Campanha de Obama em livro

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Deve sair em meados de 2009 o livro de David Plouffe, coordenador da campanha vitoriosa de Barack Obama.

Durante o seu discurso de vitória, Obama se referiu a Plouffe como um “herói não-reconhecido da campanha”. Em seu livro, o americano pretende deixar de lado as fofocas e falar sobre táticas de campanha, gerenciamento de crise, uso da internet e de sua capacidade de mobilização

Via Tiago Dória

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