Arquivo da Categoria ‘eventos/debates’

Livro Para entender a Internet será lançado pelo twitter

segunda-feira, 16 de março de 2009

Propaganda online, o projeto de Lei de Azeredo, fotografia e capital social são alguns da variedade de temas do livro organizado por Juliano Spyer: “Para entender a internet – Noções, práticas e desafios da comunicação em rede”. O número de autores também é grande, 38. Dentre eles estão Alex Primo, Raquel Recuero, Sergio Amadeu e Ronaldo Lemos.

O lançamento do livro será pelo twitter às 18h desta quarta-feira. Juliano explica como vai ser:

Para chegar a essas pessoas sem contar com os meios tradicionais de divulgação e distribuição, o jeito é usar a rede. E é por isso o arquivo em PDF do livro tem menos de 1000k – para caber em uma mensagem de email – e é por isso também que o lançamento deste livro não será em uma livraria e nem em outro espaço físico, mas online, pelo Twitter: vou disponibilizar pelo Twitter o link para o site e para fazer o download do livro. Naturalmente, todos os autores têm conta no Twitter e serão convidados especiais para essa conversa. Não sei se isso já foi feito e nem o que vai acontecer, mas, no mínimo, vamos ter um bate-papo com quem quiser saber mais sobre esse projeto.

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Carnaval 2009 de Vitória em blogue, facebook, orkut…

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A transmissão do carnaval 2009 de Vitória promete ser bem mais… dispersa neste ano. É o que a assessoria da prefeitura da capital vem chamando de “novas experiências através do site público do município.”

transmissaoPois bem. Vai ter transmissão online, criou-se perfis no orkut, facebook, youtube e o hotsite do carnaval também conta com a possibilidade de se receber atualizações por rss. É possível ainda fazer comentários pelo site. Mas não em cada informação publicada. É como um espaço espefícico, moderado e exclusivo, para comentar.

O engraçado é que a transmissão promete ter isso tudo mas não teria nenhum blogueiro pra acompanhar – é claro que não se contam aqui os blogueiros que façam parte do academicamente adorado termo “grande mídia”.

Daí que o Malini pergunta “Se blogueiro tivesse direito a uma “credencial de imprensa” (é preciso alargar esse nome, né?), o que iria fazer no Sambão do Povo:”. [É o meme do Carnaval.]

1. Twittar sobre o que vejo.

2. Flickar sobre o que vejo.

3. Blogar sobre o que vejo.

4. Olhar, olhar, olhar… muita coisas

Bem… eu iria fazer minha primeira cobertura via twitter, inauguraria minha possante câmera digital em um evento, blogaria no domingo sobre o que vi, revi, olhei de novo…. Enfim, faria de tudo um pouco.

Como ele é um dos poucos blogueiros capixabas que conheço que já não foram indicados pelo Malini, agora passo a bola pro Luiz Aquino.

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É a educação e não a questão salarial o que deve mobilizar a sociedade, afirma Negri

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Termina hoje à tarde a edição que aconteceu na Ufes do seminário MundoVix. O evento prossegue na semana que vem na UFRJ com o foco em uma outra temática: da relação entre Metrópole, Globalização e Trabalho para as questões sobre direito autoral.

Das palestras que aconteceram por Vitória, fui em algumas. Fiz algumas anotações que não ficaram tão fiéis quanto as da Flávia. Ainda assim, vou me arriscar em postar algumas coisas com ênfase para a palestra de Antonio Negri hoje pela manhã – As Instituições do Comum  na Globalização.

Como comentei, as palestras foram uma continuidade do Seminário de maio de 2007, A Constituição do Comum. A proposta do conceito de Comum seria a possibilidade de construir plataformas de entrecruzamento. Pontos de encontro. Plataforma comum de convivência. Isso não quer dizer que as pessoas tenham que ser reunidas em uma unidade de representação. Mas que sua ação cooperativa e singular possa vir a construir algo que lhes seja comum.

Negri dar o nome de Multidão para essas singularidades que não podem ser representadas mas podem vir a agir em torno de um comum. A produção de riqueza não teria mais sua origem nas fábricas. A metrópole estaria para a Multidão como a fábrica esteve para a classe operária. Negri aponta para uma difusão da produtividade e da criação de valor para o campo das relações sociais.

A fábrica e o social se informatizam e o trabalho se daria em redes que desenham a cidade de forma muito parecida com o que acontece com as redes virtuais na Internet. Exatamente por isso, o Capital passaria a buscar extrair sua valorização através de uma imersão nas relações e na produtividade social – cada vez mais espalhadas pela cidade através de redes de saber.`

Sem se aprofundar na questão, Negri argumentou que o capital financeiro é necessário ao desenvolvimento da humanidade – talvez uma proposição impossível de se ouvir na tal da esquerda tradicional. A questão não seria apontar o capital financeiro como intrinsicamente corrupto. O grande ponto seria saber como gerenciá-lo a partir de dentro e tirar essa separação entre as práticas do mercado e as do social.

De uma maneira geral, Negri critica que aqueles que costumam levantar a bandeira do social não sabem se organizar. Para ele, por exemplo, ”A esquerda na Europa acabou”. Teria acabado, lá e cá, porque ter ficado presa ao passado e insistir em ler a atualidade com as mesmas lentes que Marx leu o seu tempo e lançou uma perspectiva sobre o desenvolvimento do capitalismo. A teoria marxista ainda seria válida mas ela não daria mais conta de uma interpretação política do presente.

De um capitalismo antes caracterizado como industrial, a proposta de pespectiva negriana é caracterizá-lo como capitalismo cognitivo. Segundo Negri, é exatamente quando essa noção de capitalismo cognitivo é aprofundada é que se pode pensar na Constituição de um Comum – por meio da qual uma dada da realidade poderia ser mudada. “Quando a produção se socializa agimos como se o salário tivesse que ser conquistado socialmente”, afirma o filósofo.

Para essa conquista acontecer, dados os atuais meio produtivos, tal como Giuseppe Cocco afirmou no Seminário passado, Negri retoma que é necessário extender a todos o direito à educação. A questão do trabalho assalariado não seria mais o mecanismo fundamental de integração social e elemento pelo qual os sindicatos deveriam se mover. A cidadania, antes talvez entendido como simples conquista salarial, não é mais o resultado a ser alcançado. A defesa é que este seria exatamente o ponto de partida para que o Comum se constitua e haja na sociedade uma mobilização produtiva. “Não nos referimos a uma produção de riquezas mas sim a de pessoas”.

A organização da sociedade não teria nada a ver com o modo industrial. Não existiria a mesma hierarquia virtual. As cooperações que surgem não são organizados e teriam muito a ver com o aleatório. O desafio de agora seria o de organizar capacidades de cooperação em diversos projetos.

Seria necessário quebrar hierarquias. Romper com o “aprisionamento do conhecimento”. Dessa forma, para Negri, é necessário construir o Comum a partir de dentro das instituições. “Fazer instituições do Comum é associado ao saber, interno à Metrópole e que ao mesmo tempo seja capaz de destruir relações desiguais”, afirma o filósofo.

Uma mudança social não seria partidária ou a partir de uma outra forma representacional. Para Negri é necessário, vamos dizer assim, de uma educação, de um exercício para fazer o que ele chama de Multidão e por fim constituir algo tão central ao seu pensamento, o Comum. 

Sobre a versão do seminário que aconteceu em 2007, acesse também

21/05 – “A fuga das fábricas, o encontro nas redes”

24/05 – Internet: “O gato saiu do saco”

24/05 – “A televisão é controle da subjetividade”, diz filosófo

24/05 – “Com a economia intangível, a identidade se torna algo em construção, aberto a mudanças”, diz Antoine Rebiscoul

24/05 – “A Internet é a utopia de que qualquer um comunica”, provoca midiativista espanhol

25/05 – “A mudança não passa pela delegação de representação”, conclui editor da Le Diplomatique

25/05 – Seminário “Cultura e Conflitos no Capitalismo Contemporâneo” via internet

12/06 – A produção do imaterial na cidade

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Seminário traz Antonio Negri a Vitória

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A Universidade Federal do Espírito Santo vai sediar em dezembro o seminário “Mundo-Vix: A política do comum: Cidades, Democracia e Globalização”. Pelo tema das palestras, o encontro de agora tem muito a ver com o que aconteceu em maio de 2007 na Estação Porto, “A Constituição do Comum: Comunicação e Cultura na Cidade”.

A diferença é que o foco passa da produção cultural para, mais diretamente, as relações de trabalho e políticas. Além disso, desta vez, o filósofo que traz embasamento teórico para ambos os seminários, Antonio Negri, estará no último dia de debates. Michael Hardt, co-autor de Império com Negri, também estará presente.

Uma das teses que direcionam o seminário é o que é caracterizado como ”crise terminal do neoliberalismo e o horizonte de incertezas que se abre.”

Nessa direção, o tema da mesa de Negri será “As Instituições do Comum na Globalização”, onde será discutido a experiência dos governos de esquerda na América Latina em um horizonte enxergado como “não apenas pós-neoliberal, mas também pós-capitalista.”. O filósofo tem formação marxista e são recorrentes suas citações a Foucault, Maquiavel e Espinosa.

A cobertura do evento será feita pelo pessoal do Laboratório de Internet e Cultura (Labic) da universidade através do blogue MundoVix.

Programação: (mais…)

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Comunicação em redes sociais para estudantes de tecnologia

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Estudantes de tecnologia também estudam as novas formas de comunicação em redes sociais. Quem conta é Jô France, colega que estuda Ciência da Computação lá em Cuiabá. Ela esteve na palestra feita por Fred Fagundes: “Cybercultura na blogosfera – a importância das redes sociais na comunicação”. As discussões fizeram parte do II Congresso Acadêmico de Tecnologia e Informática.

Fred já foi editor do blogue Jacaré Banguela e também escreve para o Papo de Homem. Ele teria falado sobre o “fenômeno da Internet e das redes sociais”, conta Jô. Uma das questões levantadas seria a seguinte: “Hoje em dia a garotada está migrando da TV para o computador, ou o computador está migrando para a TV digital?”

Ecoando a argumentação apresentada no A Cauda Longa, “os futuros ídolos do brasil.. em questão de música, arte.. etc.. não estão na TV… estão nas redes sociais, no myspace, grandes comunicadores estão no twitter, cada dia a cybercultura está descobrindo talentos naturais, sem forçar a barra, sem produzir.. sem lançar..”.

Eis parte do bate-papo via Google Talk:

16:27 eu: Bom
E como ele encaixou esses temas no curso de vcs?
Me parece tão próprios do curso de Comunicação
16:28 : voltei
16:29 então
como ele mesmo disse
ele teve que adaptar a palestra ( ele, como comunicador ) para a galera da tecnologia!
então ele falou mais sobre empreendimentos na web
16:30 como ganhar dinheiro fazendo blog, como fazer parcerias, como aproveitar as melhores ferramentas.. mas é claro.. nos deu uma palestra de comunicação também.. porque.. queiramos ou não.. precisamos ter o nosso lado comunicador pra desenvolver tecnologia.
16:31 eu: Muito bom. Alguém tem o material aque ele apresntou nessa palestra?
Slides, sei lá
16:32 : nao sei, eu posso ver com um dos organizadores do evento mais tarde
o site do evento é esse http://bbg.unemat.br/cati
16:33 eu: valeu!
16:34 Wow, à exceção de um camarada, todos os palestrantes me pareceram tão novos….
16:35 : são sim
mas o nível das palestras foi muito bom
esse que apresentou sobre redes neurais para aeronaves por exemplo
ele se formou ano passado aqui na UNEMAT
agora está fazendo mestrado no ITA
16:37 : mas eu não me surpreendo, estes da tecnologia, serem tao novos porque
há empresas aqui.. com programadores de 14, 15 anos..
16:38 eu: heheheh. Tão novos quanto à internet
16:40 : é aquela coisa né.. a arte de transformar a brincadeira em negócio
pretendo ainda um dia, ganhar dinheiro jogando…

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Participação e vigilância na era da comunicação distribuída

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Vou tentar ir pessoalmente. Caso não dê, já reservei um exemplar com Malini, um dos autores do livro. No próximo 24 de novembro, o Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da UFRJ (Eco-Pós) fará o lançamento de seis livros – entre individuais e coletivos. Dentre essas publicações está uma cujo tema passou a me interessar: “Web 2.0 – Participação e vigilância na era da comunicação distribuída”.

O livro foi organizado pelo professor da UFRJ Henrique Antoun. Os capítulos trazem resultados de pesquisas iniciadas por volta de 2002 e têm “como questão analisar as perturbações trazidas para a prática democrática através das transformações na mediação propiciada pela mobilidade das redes.”

Dentre os artigos já publicados sobre o tema está um trabalho apresentado no Intercom de 2005: “Mediação, Mobilidade e Governabilidade nas Redes Interativas de Comunicação Distribuída”.

Para mais informações sobre horário e local de lançamento, acesse o site da Eco-Pós.

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VI Fórum de Comunicação Social da Ufes

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Enquanto tento retomar o fôlego para as postagens eis uma agenda para a semana que vem. Entre segunda e sexta (27 a 31/10) acontece o VI Fórum de Comunicação Social da Ufes. Coordenado pelo professor Fábio Goveia, esta edição do Foco terá como tema básico “Estéticas da Imagem na cultura contemporânea”.

Com ares de saudosista, sim, esse é meu primeiro Foco depois de formado. O primeiro deve ter sido em 2004. Essa era a segunda edição do evento e nem cobertura tinha sobre o que acontecia pelos seminários – ao contrário deste ano em que as palestras poderão ser assistidas ao vivo pelo site do Fórum. Sendo ano de eleição, em 2004 o Foco ficou sendo em torna da política e estratégias de campanha.

Em 2005, a minha turma, que também inaugurava a disciplina de Jornalismo Digital na universidade, passava a cobrir o Foco.  Foi uma cobertura um tanto rudimentar mas, como dizem os professores, o importante é o processo. A temática daquele ano foi sobre os 30 anos do curso de Comunicação Social na Ufes. Para quem quiser ver, o blogue ainda existe, é O Foco da Notícia.

O IV Foco teve como tema “Redes Virtuais e a Constituição Política do Presente”. Um dos convidados de que mais gostei foi o Henrique Antoun.  Agora, revendo algumas bibliografias para mestrado, reparo que ele estuda no âmbito da democracia o que pretendo estudar na área empresarial: a contradição entre o poder da comunicação potencializado pelas redes distribuídas e o controle da informação exercido pelas empresas. Tendo essa tensão como hipótese, a minha idéia é ver quais problemas, adaptações e tipos de comunicação podem ser encontrados quando as empresas ingressam em redes de comunicação – se é que ingressam.

Na edição de 2007, daqueles a quem pude assistir, gostei da palestra do Marcos Palácios. É claro que a ironia, gosto de pessoas assim, e uma certa contraversão de Sylvia Moretzsoth não poderia ser esquecida. Ela tece uma série de críticas em relação ao chamado jornalismo cidadão e parece ver com minúcia microscópica a fragilidade e contradição de uma dada teoria ou conceito. É só acessar o link com o nome dela aí em cima para ver alguns artigos que ela escreveu. Enquanto vou criando bagagem para rebater, vou vendo o engalfinhamento de camarote. Ah, claro! No ano passado o Foco teve cobertura wiki na Wikipédia (imagem acima), mas o verbete acabou sendo deletado.

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Ecos Jr. lança livro sobre seus 10 anos

terça-feira, 1 de julho de 2008

Acontece amanhã o lançamento do livro sobre os 10 anos da Empresa Júnior de Comunicação Social  da Ufes, a Ecos Jr. A produção contou com a iniciativa do estudante de publicidade Leornado Basoni e foi orientada pelo professor do Departamento de Comunicação Social da Ufes, José Antonio Martinuzzo. Estudantes de vários períodos do curso ficaram responsáveis por escrever sobre cada uma das 11 gestões além de uma parte relacionada à identidade visual. Eu e minha colega Elaine participamos como editore. Serão lançados mil exemplares, cuja distribuição será gratuita no coquetel de lançamento. .

Aparece lá!

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Palestra na Ufes sobre comunicação externa da CST

domingo, 15 de junho de 2008

Seria bom demais para dar uma incrementada extra na redação de minha monografia se a palestra fosse sobre a comunicação da Vale. Será sobre a da CST, atual Arcelor Mittal.  Na próxima 4ª feira (18/06) o assessor de imprensa da empresa estará na Ufes para falar sobre o seguinte “A comunicação externa na CST: produtos e processos“.

A palestra faz parte do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Estratégica e Gestão de Imagem da universidade mas é aberta para quem quiser comparecer.O encontro vai acontecer próximo ao Cine Metropólis no Cemuni 5, sala 1A.

Para mais informações entre em contato com o coordenador do curso da Pós, Fábio Malini: 9901-8130 / 4009-2603.

Minha choradeira é porque, pela via institucional, consegui poucas informações históricas sobre como era organizada e também sobre o investimento da Vale na área de comunicação. Muito do material a que tive acesso foi por artigos já publicados, seminários apresentados além de alguns mestrados disponíveis na Internet.

Mas foi muito por base de aproximação de datas e cruzamento de informações. Traçar uma linha do tempo mais ou menos precisa sobre o site da Vale foi um desafio.

Segue trecho do TCC:

A Internet chegou no Brasil em 1988 por iniciativa da comunidade acadêmica de São Paulo (FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e do Rio de Janeiro UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e LNCC (Laboratório Nacional de Computação Científica).

Em 1991, a Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos libera a rede para uso comercial (Martinuzzo, 2006), o que só acontece pelo Brasil em 1995. A partir de então, surgia oportunidade para que usuários fora da comunidade de educação e pesquisa do país também obtivessem acesso à Internet, o que inclui a iniciativa privada.

Segundo Baptista (2001, p. 12), um estudo organizado pela empresa de consultoria E-Consulting, de dezembro de 2000, pesquisou a utilização da Internet no Brasil entre 114 empresas. O estudo teria apontado que 74% das empresas faziam uso institucional (Websites), 55% utilizavam de forma interna (Intranet), 52% estariam usando para compra, 62% para venda, 68% utilizariam de forma voltada para o cliente e apenas 9% das empresas pesquisadas possuíam ou estariam implementando todas essas ações de forma planejada e integrada.

Também em 2000, o número total de domínios comerciais na Internet nacional somariam 159.556 (Baptista, 2001). Entre outubro e novembro de 2007 o percentual de empresas que mantinham website ainda era de 46%, mas essa porcentagem vai a 80% quando se considera empresas com o número maior do que 250 funcionários.4

Sem fazer referência a nomes, Baptista (2001, p. 82) diz que apenas 11 empresas implementaram alguma versão de site institucional ainda no ano em que a Internet comercial foi inaugurada no Brasil. A autora também aponta para estudos, publicados em 1998, que indicariam a subutilização da Internet pelas empresas nacionais.

Na série de casos aos quais ela faz referência, tem-se que a primeira versão do site da Vale seria de janeiro de 1996. Já no Internet Archive, site que faz catalogação do histórico de um amplo número de websites, o primeiro registro de um site da Vale só vai ocorrer em maio de 19985. A propósito de comparação, é de fevereiro de 1997, segundo esse mesmo site de catalogação, o primeiro registro sobre uma experiência de site da Petrobrás6.

Antes dessas informações serem encontradas, a atual gerente do site da Vale Natacha Cano havia informado que o planejamento em torno da criação de um website só havia começado em 2000. No cenário que antecedia a este marco institucional, na avaliação de Natacha Cano, “ainda não havia no Brasil uma cultura de Internet”. Dessa forma, o planejamento em torno de um site como forma efetiva comunicação institucional só teria começado a partir de 2000, tendo o resultado vindo a público em 2003. Em relação ao registro de versões anteriores, Natacha diz: “eram experiências isoladas na web, sendo em 2003 o site em aderência ao planejamento da Vale. Se analisar [essas versões] em profundidade, perceberá rapidamente que a arquitetura da informação na imagem não reflete a essência da Vale”.

O que de fato acontece é que foram poucas as empresas que tiveram sensibilidade o bastante para perceber que a criação de um website, pelas possibilidades que trazia, era mais do que subestimado ao se restringir a uma “carta de apresentação” – e as ações iniciais da Vale não alçaram vôo para além deste cenário: a disponibilização de informações sobre a Cia e de seus produtos, mas sem que implicasse o comprometimento com uma estratégia online. Isso mesmo a Cia se caracterizando como uma “Empresa competitiva, diversificada e de âmbito internacional (CVRD, 1992, p. 288).” – grifo meu. Na nota de rodapé da versão de 1998 do site como registro:

As informações constantes nas páginas da CVRD foram compiladas para sua conveniência. A CVRD tomou todo o cuidado razoável para produzir estas informações. Entretanto, não podemos garantir que as informações serão suficientes para responder completamente a todas as suas perguntas ou que estão atualizadas. Também não nos responsabilizamos por qualquer fato decorrente do uso das informações contidas nas páginas. Aconselhamos a prévia consulta a um profissional independente antes da realização de qualquer investimento. É oferecida ainda a possibilidade de se fazer um “download” de informações para uso pessoal. Porém, toda e qualquer informação contida nas páginas só poderá ser reproduzida ou modificada mediante prévia autorização por escrito da CVRD.”

O plano estratégico da Vale para o período de 1990 a 2009 chama ainda mais atenção se o discurso for comparado com o que foi praticado de fato, via um website institucional. Diz a empresa (CVRD, 1992, p. 288):

No plano internacional, alguns fatores contribuíram decisivamente para o planejamento empresarial da Vale do Rio Doce. Entre eles, merecem menção a informatização e a terceirização das economias desenvolvidas e sua difusão para as subdesenvolvidas; a forte inter-relação das economias desenvolvidas, ampliando os efeitos recessivos e de expansão [...] – grifo meu

Se for considerado que a primeira versão tem por data o ano de 1996, foram sete anos, até que viesse a público o resultado de um website pensado como forma de comunicação competitiva, envolvendo dedicação da Cia e requerendo gestão específica.

Não por acaso, a contratação de Natacha Cano, com formação em publicidade pela Pontifícia Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), acontece exatamente em 2003. Ela conta que, em relação à hoje, quatro pessoas dos quadros da Vale, com formação em Comunicação, são integralmente dedicadas à gestão do site. Segundo informações de Natacha, a esse número, somam-se mais seis empresas que trabalhariam em parceria na manutenção do website: três delas na contribuição do fornecimento de conteúdo para assuntos institucionais relacionados com relações com investidores e imprensa.

Se dentre as críticas feitas à Vale estava a falta de transparência em suas ações, conforme visto no capítulo anterior, Natacha diz que o site foi pensado como a forma fundamental para manter transparência com todos os públicos com os quais a Vale se relaciona.9 “É essa a imagem que queremos passar”, afirma. Desde o marco institucional em 2003, ela explica também que o site teria passado por mudanças pontuais em sua estrutura até a completa reformulação de seu design em novembro de 2007, como parte do projeto de adaptação à nova logomarca da Cia.

Ezequiel Vieira

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Debate sobre movimentos sociais

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Será realizado no próximo dia 29/04, das 14 às 18 horas, no Salão Rosa do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas da Ufes, o evento Tecendo Saberes. Trata-se de um encontro de núcleos e grupos que discutem os movimentos e práticas sociais.

A reunião é aberta a professores, estudantes e lideranças sociais e é uma promoção do Núcleo de Estudos em Movimentos e Práticas Sociais (Nemps) e do departamento de Serviço Social da Ufes.

O evento conta com a participação dos seguintes professores:

Acesse também: movimentos sociais no Polimidia.

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