A segregação socioespacial no mapa mundial de acessos a internet

A perspectiva de análise não me agrada e o que ele diz também não é exatamente uma novidade. Tanto que o que mais me chamou atenção no autor foi o estilo nada aveludado de escrita e de visão de mundo do que propriamente as análises que ele fez.

Logo lembrei de Milton Santos quando encontrei esse mapa.

A ilustração informa muito bem como se dá a distribuição dos acessos à internet mundo afora. Milton Santos argumenta que a globalização, potencializada pelas novas tecnologias, se contrói em torno de três fábulas que logo associo à internet – desterritorialização, compressão do espaço-tempo e adeia global.

Santos diz que tudo isso funciona muito bem sim, mas só para aqueles que já são incluídos, os pontinhos vermelhos do mapa, e não como forma de inclusão e exercício de cidadania – que para ele, nunca antes, e muito menos agora, se viu o exercício de tal conceito sendo praticado no Brasil.

A argumentação completa pode ser encontrada no livro Por uma outra globalização. Eis um trecho da resenha feita pela revista Partes

Para SANTOS, “a humanidade desterritorializada é apenas um mito” e que este não é um imperativo da globalização. Diferente das antigas brigas por territórios, os novos “desbravadores” usam ternos, não usam fardas — exceto em situações de conflitos tipo Afeganistão ou Líbano — e pregam do evangelho do livre-mercado.

O que de fato a globalização vem realizando é a violação das culturas locais e de suas diversidades, difundindo um saber único, na escola, na leitura, no entreterimento e nos mais variados costumes (alimentação, moda etc). É neste aspecto que a globalização tem sido mais perversa e violadora. “o território é hoje um território nacional da economia internacional” (SANTOS p.74)

“A globalização revaloriza os lugares e os lugares – de acordo com o que podem oferecer às empresas – pontencializa a globalização na forma em que está aí, privilegiando a competitividade. Entre o território tal como ele é e a globalização tal como ela é cria-se uma relação de causalidade em benefício dos setores mais poderosos, dando ao espaço geográfico um papel inédito na dinâmica social” Não existe, portanto, o espaço global, senão apenas como espaço de globalização. O que existe é a fragmentação do território.

Leia também

11/04/07 – Vitória organiza projeto de acesso livre a internet

25/04/07 – Maplecrof Maps – descubra outra forma de ver o mundo

09/04/07 – A liberdade que constitui

24/10/06 – A vontade de potência encontra sua mídia

Atina Chile – Tesis sobre la Distribución de la Información en el Territorio

Imagem: Atina Chile

Scridb filter

Tags: , ,

5 comentários para “A segregação socioespacial no mapa mundial de acessos a internet”

  1. Esses dados são bons para jogar um pequeno balde de água fria nos entusiastas dos novos meios tecnológicos como se por si só eles fossem transformar a sociedade.

    Como diria um certo professor “a tecnologia não é nem boa, nem má, ela simplesmente é. O que fazemos com ela é que faz a diferença”.

  2. Pois é Leticia, me segurei pra nao citar esse certo professor. “o mundo nao é obra de Deus nem do diabo mas resultado de nossas ações”

    É impossivel negar o mapa e as analises de Milton Santos, mas ainda prefiro, sempre com o “risco” de ser chamando de negriano, a perspectiva propositiva e nao de constatação que seja similar a de Negri

    entre outras razões, foi por isso q meu primeiro link do leia tb foi “Vitória organiza projeto de acesso livre a internet”

  3. [...] Leia também – A segregação socioespacial no mapa mundial de acessos a internet (02/05) [...]

  4. [...] Por uma outra Globalização - Milton Santos [...]

  5. Rodrigo Huebra Martins disse:

    Sou estudante de Geografia e gostei mt do assunto aqui tratado. A tecnologia esta aí, mas não está acessível a todos. Segundo o próprio Milton Santos, o termo globalização remete a uma idéia de homogeinização, mas na verdade o que ela faz é acentuar as diferenças princiapalmente através da desterritorialização do espaço.

Deixe um comentário