Em que medida a passividade é determinação técnica ou escolha humana?

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A minha sala fala pouco, tá, eu também não falo muito.  Na 5ª série me chamavam de mosquinha morta. Agora, num claro sinal de in progress, recebi a alcunha de come-quieto.

O professor de Mercadologia, José Antonio Martinuzzo (1) , decidiu forçar as pessoas a falarem e fez com nesse período os estudantes passassem a dar seminários.

(1) A tese de doutorado defendida no ano passado teve como título “Comunicação, Novas Tecnologias e Informacionalização da Política: O Governo Eletrônico no Mercosul“.

Fiz hoje minha apresentação, junto com minha colega Liege, sobre o capítulo usuários do livro A Migração Digital. Acredito que fui muito bem, obrigado!

Eis os tópicos feitos pro seminário:

A introdução da indústria e do mercado, a partir do século XVI, o intercâmbio do conhecimento passa a experimentar grandes mudanças na estratégia política e cultural.

O acesso ao saber que antes era restrito ao um detentor do conhecimento, se dispersa, se espalha e se globaliza a partir de quatro estágios básicos:

1º estágio – generalização do consumo de bens que incluem conteúdos de conhecimentos impressos e escritos. Livro

2º estágio – redução do tempo entre produção e consumo de conteúdos. Telégrafo, telefone e rádio.

3º estágio – capacidade de representar o conhecimento e a informação por imagens. Em um extremo isso vai levar a uma idéia de hipereal – “A imagem virtual é o meio que cria a realidade. A imersão do utilizador numa realidade virtual altera a própria existência. A REALIDADE SURGE COMO ALGO MAIS POBRE DO QUE REALIDADE.

4º estágio – síntese dos suportes anteriores numa rede de interfaces. Interatividade e digitalização. É importante lembrar que os estágios anteriores não se excluem, mas se intercambiam.

Esse último estágio provoca uma crise do modelo clássico de comunicação. Em seus fundamentos teóricos e práticos. De forma resumida, o modelo emissor > mensagem > receptor entra em colapso. Potencialmente, todos são produtores de conteúdos nesse novo suporte – ver postagem A opinião distribuída no mercado do diálogo

TV é assimétrica e falsamente democrática, na medida em que é democrática na difusão, mas não na permissão de produção de conteúdos. Daí é que vem a noção de que a TV conduza à passividade da audiência.

No quarto estágio da difusão de conhecimento traçado pelo autor, a possibilidade de diálogo entre emissor e receptor da mensagem sai do plano as concepção da teoria e se realiza.

“A passividade é uma característica da televisão ou uma característica humana”?

UMA NOVA PROPOSIÇÃO SERIA: “ou bem se pergunta qual, dentre as tecnologias, mais favorece a passividade, ou bem se pergunta quais as razões que, num dado momento histórico, levam os sujeitos a preferir a passividade.” A condição de passividade é responsabilidade da técnica ou escolha humana?

CITAR EXEMPLO DA PRODUÇÃO DE CONTEÚDOS NA WEB 2.0 – DO BLOG JORNALISMO E INTERNET – ver post A Web 2.0 não é tão participatica como se diz

- surgimento do mercado do diálogo

- não existe um centro difusor de informação

- aceleração da circulação de mercadorias e de produtos de comunicação

- as redes telemáticas disponibilizam mais comunicação a um preço menor

A constituição de comunidades, grupos de afinidades, e não de audiências. Essa fronteira é o novo espaço de pensamento e de experiências humanas, formado pela coabitação de antigos meios e novas formas de hiper-realidade.

A internet só se materializa em sua potencialidade com a manipulação e mixagem ativa do usuário.

A lógica democrática da internet não é algo que se materializa por sozinho. Depende de escolhas e decisões políticas. O verdadeiro conceito de democratização do acesso vai depender dos valores e escolhas do usuário. “A rede desenvolve e amplifica os movimentos da sociedade, não os reiventa”.

ANTES DE SER UMA QUESTÃO TÉCNICA DEMOCRATIZAR O ACESSO A PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO É UMA DECISÃO POLÍTICA. Ver caso da Rede Metrovix

A teorização sobre a internet tem muito de metaforização.

A idéia de rizoma e de redes são as mais populares.

“Se a web é uma rede, essa descrição obriga a considerar que tem de haver um arquiteto da rede (a aranha que tece a teia), por mais universal que essa rede transforme-se constantemente em função da interatividade dos usuários. Portanto, será que se pode falar com propriedade de território radicalmente alternativo à centralização dos meios de comunicação tradicionais, à ausência transcendental de Emissor ou Senhor da Rede, com a conseqüente tomada do poder pelo usuário?”

CITAR O CASO DO DIGG – ver tópico da comunidade Ciberidea: Guerra do Código Incendeia a Web. A ação dos usuários parece ter mais força, ou pelo menos cresce a cada dia.

“- Os usuários da rede têm a possibilidade de troca de identidades e um jogo de ficção de identidades, que, na televisão, só era permitido aos atores, em tela

- na internet não se enfatiza a representação (leitura e recepção, como na televisão), mas a interface onde de maneira simultânea várias identidades podem ser assumidas.”

No fim, o autor de mostra cético com o papel dos usuários na nova mídia.

O questionamento foi o papel de intervenção do usuário “será apenas uma mudança de estratégias de marketing ou algo mais radical que produzirá uma ruptura do conhecimento e do nosso sistema de valores?”.

Terão os expectadores maior liberdade para interpretar as mensagens, porém menos autonomia com respeito aos valores neste mundo cada vez mais globalizado?”

Sem uma conclusão visível e forte em seu texto, podemos perceber algumas constatações: somos emigrantes de uma nova economia criada pelas tecnologias do conhecimento, com a suposição de caminharmos para um planeta mais tecnificado.

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Um comentário para “Em que medida a passividade é determinação técnica ou escolha humana?”

  1. [...] produção para fazer circular o seu trabalho na lógica de redes, uma vez que – como tanto frisa Vilches com boa dose de ceticismo – a internet traz uma técnica com grande horizontabilidade e potencial [...]

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