A opinião distribuída no mercado do diálogo

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4 de maio de 2007 - 15:50 | eventos/debates, internet, ufes Fazer Comentário

Foi fácil de encontrar. Ele é um dos livros de mais de 18 anos que tenho na estante e um dos muitos que sempre tenho a promessa de fazer uma leitura completa nas férias. Economia & Mercado (Sérgio Guimarães), traz, com o totalizante título O Processo de Comunicação, que ele se dá pelo seguinte esquema emissor > mensagem > receptor. Ponto.

A temática do último dia do I Seminário Capixaba de Ética e Jornalismo (programação e participantes) foi muito mais ampliado do que inicialmente o nome possa sugerir. A crise do modelo clássico de comunicação rendeu muito mais comentários dos debatedores.

Demonstrando desenvoltura na apresentação, André Hees, editor executivo d’A Gazeta, rearfirmou o que para quem está na universidade é algo bem básico – houve uma mudança no modo de se fazer jornalismo nos últimos 10 anos. “A mídia impressa era a mídia por execelência. Com a internet os jornais perderam leitores e credibilidade”. A novidade mesmo foi a de que uma discussão como essa aconteça na redação com o amadurecimento demonstrado no momento.

Hess relacionou algumas reações de jornais para se adaptarem a linguagem do ambiente online

- integração da redação

- material multimídia

- disseminação de blogs (vide o caso de O Globo)

- propagação do chamado jornalismo cidadão

- hiperlocalismo: o que daria mais direcionamento nas reportagens e conteúdos exclusivos

O jornalista deixa então de exercer o papel messiânico do único provedor de informação. O leitor agora também quer interferir no conteúdo. O link Editar das plataformas wikis é bem paradigmático nesse sentido.

Hess comentou que o momento indica o jornalista muito mais relacionado a desempenhar o papel de organizador de conteúdos, o jornalismo cartógrafo, do que o de ser porta-voz do verdade. Ele fez referência ao livro norte-americano Elementos do Jornalismo para fundamentar essa idéia de cartografia. A coordenadora do seminário, Marcilene Forechi, em um exemplo de valorização da prata da casa, lembrou que a latinidade também desenvolveu esse conceito. Ela disse que o pesquisador colombiano Jesús Matin-Barbero tem um livro intitulado O Ofício de Cartografo [travessias latinoamericanas de comunicação na cultura].

Missão – chegar a Samoa

Quer fazer turismo em Samoa? Mais modesto, dia desses fiquei muito empolgado quando conheci, via Google Earth, a cidade de Santiago (Chile). A catedral de Brasília então… finalmente me pareceu mais real.

Fábio Malini, professor de jornalismo online na Ufes, usou o exemplo de se fazer turismo nessa terra de ninguém para destacar o fato de que agora existe um circuito de informação completamente renovado.

Vc sabe alguma coisa desse país?

Então acesse

Kayak – onde é possível digitar o lugar de partida e para onde se pretende ir. O site disponibiliza todas as informações para se chegar a qualquer local do mundo. Custos com passagens, hospedagens (…) a serem pagos durante o percurso da viagem.

Wikitravel – plataforma de imagens e informações turísticas

Flickr – imagens aletórias do local

Samoa_Honeymoon_0043

Youtube – produções audiovisuais sobre Samoa

Technorati – o que foi publicado pelos blogs sobre Samoa

Em referência ao tema que motivou o debate, Malini apontou que o leitor trabalha com uma dimensão ética diferente da do jornalista. “O conhecimento pela experiência, rico em subjetividade, é o que valoriza o conteúdo de um blog.”

Fiel ao seu estilo, digamos, contra moralismo, ele acrescentou que o jornalista clássico age muito por uma lógica moral, determinado a priori. Tal modo de agir não conseguiria responder pelas multiplicidades de circunstâncias com as quais o cotidiano do jornalismo impõe.

O exemplo citado foi o caso da exibição do enforcamento de Sadam Hussein. Enquanto a CNN exibiu o vídeo até o momento em que a corda era colocada no pescoço, vários blogs não se fizeram de rogados em exibir o enforcamento na íntegra. E aí? O que a moral, ou ética, sei lá, tem a dizer sobre isso. O que e por que determina essas duas formas de agir? “Essas duas formas de conhecimento entram em conflito, na medida em que a sociedade também passa a produzir conteúdos”, conclui Malini – acesse tb a postagem O tiroteio na Virginia Tech muda rumos da cobertura jornalística de grandes eventos na era da internet.

A propósito – O próprio Youtube colocou uma restrição para ver o vídeo de Sadam. Fui acessar e a mensagem que veio foi This video may contain content that is inappropriate for some users, as flagged by YouTube’s user community. To view this video, please verify you are 18 or older by logging in or signing up. Só tinha visto isso para vídeos com cenas de insinuação de sexo.

Qual ética?

A presidente do Sindijornalistas no ES, Suzana Tatagiba, sabiamente, não entrou no mérito da resposta. Ela fez algumas considerações baseadas no texto Uma nova ética para uma nova modernidade (Bernardo Kucinski) e lembrou que em agosto acontece um seminário para debater e escrever um novo código de ética do jornalismo. O que temos agora já conta com pesados 20 anos. Logo, logo posto novidades por aqui.

Leia mais

1. A opinião distribuída entre os blogs; 2. Blogs e as eleições brasileiras em 2006, por Fábio Malini

3. Mapa Visual e livro em espanhol sobre Web 2.0

4. Tag Web 2.0 do daqui do blog

5. Documentos de estudio: ¿Qué es la Web 2.0?

6. Mas afinal, o jornalismo de qualidade tem alternativas? – do blog Código Aberto

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Graduado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo. Ainda estudante, e também blogueiro. Monografia "Comunicação como política de mercado: o caso do site da Vale" | Currículo.

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